Vou te contar um segredo

Vou te contar um segredo. Mas só se você jurar que não vai contar a ninguém… Quantas vezes iniciamos conversas oferecendo este contrato de confiança,  mesmo tendo a certeza que o pedido de sigilo não será mantido? Tudo bem, acreditar que segredos ficarão guardados, mesmo quando deixam de ser secretos, faz parte deste acordo fictício.

Mas se a intenção é divulgar uma informação, por que apelar para o silêncio do outro? Simples. Saber de alguma coisa que ninguém mais sabe, nos coloca em situação de vantagem de alguma forma ou, pelo menos, acreditamos que sim. Dessa maneira, quando divulgamos algo que fazemos questão de demonstrar sua exclusividade, também nos tornamos únicos, afinal, ser o portador de informações preciosas, transforma pessoas comuns, em privilegiados ocasionais.

A grande questão está em saber o que, de fato, é uma informação única e importante ou apenas uma situação irrelevante, que é maquiada, até tornar-se interessante o suficiente para ser guardada à sete chaves, mas sem nenhum cadeado.

Na grande maioria das vezes valorizamos a manutenção dos segredos até que se tornem moedas de troca. Compartilhamos intimidades, particulares ou alheias, em troca de confiança e fidelidade o que, com frequência, não costuma ser uma transação bem sucedida. Deste modo, aquilo que tentamos reter, escorre em alta velocidade entre bocas e ouvidos, ganhando mais cores e contornos. A fluidez de segredos mal guardados, transforma o íntimo em exposto, a confiança em inconfidência e o sigilo em fofoca.

Ter o que contar pode abrir caminhos, normalmente reservados aos que tem como objetivo, descobrir e armazenar informações para, então, valorizá-las até que transformem-se, enfim, em segredos fadados a revelação. Mas, se de um lado, alguém se favorece com o vazamento deliberado de segredos frágeis, do outro, estarão aqueles que depositaram informações valiosas em caixas de fundo falso. Segredos podem ser degraus ou baús. Depende de quem escolhemos para guardá-los.

Porém, se há quem revele segredos a todo instante e sem qualquer critério, também há aqueles que compreendem que nem tudo deve ser divulgado de forma irrestrita.

Todos nós guardamos informações, experiências ou sentimentos em pequenas, porém, bem protegidas, caixinhas de segredos. Que são abertas, somente, em situações de absoluto conforto e entrega. Isso pode, eventualmente, resultar em corações partidos e decepções em diferentes níveis, o que, à primeira vista, dos como um castigo, revela-se um grande aprendizado à medida que o tempo passa.

Segredos são ótimas armas para aguçar a curiosidade alheia mas, também são essenciais para nossa autopreservação. Eles são responsáveis por nos mostrar quem somos de fato, de onde viemos e como chegamos até aqui. É claro que essa trajetória é compartilhada por muitos, mas, todas as experiências, mesmo as mais simples, possuem singularidades que fazemos questão de guardar em locais onde apenas a nossa mente consegue acessar.

As características únicas que mantemos a salvo do mundo, deveriam ser presentes raros que ofertamos, de tempos em tempos, para poucos e bons. Segredos jamais devem ser fardos pesados que sufocam e impedem de ser quem realmente somos. Essas são linhas tênues que sempre nos acompanham.

Segredos são fundamentais. Às vezes nos transformam em pedras e por vezes em vidraça mas, quase sempre, são eles que formam um banco com informações únicas e preciosas, que só serão reveladas àqueles que, de antemão, prometerem jamais contá-los a ninguém…

2 pensamentos em “Vou te contar um segredo”

  1. Hmmmmm, aqui pensando no que te motivou a escrever esse texto. (Olha eu aqui caçando fofoca 🙈🙊🙉)😂😂😂

  2. Interessante este texto… Quantas vezes algum amigo já iniciou uma conversa com essa frase: “vou te contar em segredo” ou “em off” ou “não conta pra ninguém”. Penso que, definitivamente, têm coisas que não devem ser comentadas com ninguém. Porque um só comentário ou um só compartilhamento, pode destruir a vida e a dignidade de uma pessoa. Vale a reflexão. Beijo, garoto.

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