Um novo ciclo ao redor do sol

Enfim, chegamos ao novo ano. Essa data tão aguardada e festejada por todos, simboliza o início de um novo ciclo, de uma nova vida, de um novo mundo. Depositamos todas as nossas esperanças no primeiro dia do ano, como se fincássemos uma bandeira em um território recentemente conquistado e, lá, fazemos pedidos para o ano que se inicia. Sei que isso é parte de um hábito feliz, que nos fortalece para o início de um novo ciclo ao redor do sol.

Seguimos toda sorte de rituais que nos prometem proteção contra o mal e o acesso irrestrito a paz, a prosperidade e ao sucesso. E, assim, tentamos suavizar o turbilhão que nos espera nos próximos 366 dias deste ano. Pedimos como muita fé, para que o ano que se inicia nos conceda tudo o que precisamos e que afaste tudo o que impeça a nossa felicidade. O curioso nisso tudo é que ficamos tão ocupados com os nossos desejos, que esquecemos que os responsáveis pela realização da nossa lista de desejos não é o ano recém-chegado. Somos nós!

É praxe iniciar todos os anos desejando coisas boas e novas realizações e, de forma quase automática, desejamos a quem estiver ao nosso alcance, que os próximos doze meses sejam prósperos e felizes. E recebemos as mesmas felicitações em contrapartida. O que não é nada mal, afinal, não se pode dispensar boas energias. Mas, infelizmente, a prosperidade tão desejada não surgirá em um passe de mágica, só porque assim queremos. Acreditar que teremos nossos desejos atendidos é apenas o primeiro passo de uma longa, porém rápida, jornada.

O que faz um novo ciclo ser diferente do anterior é o quanto de energia colocamos em nossas ações, para que os sonhos projetados no ano-bom, transformem-se em realidade. O cotidiano nos mostrará, sem filtros, que não conseguiremos muita coisa se decidirmos aguardar que o ano novo realize os nossos desejos. É preciso arregaçar as mangas e fazer acontecer. E que obstáculos serão parceiros constantes nessa caminhada. Sorte, oportunidade, esforço, conhecimento… estas são algumas das variáveis que também fazem parte do desafio que é realizar o sonho de um ano perfeito.

A combinação desses fatores, ao mesmo tempo que cria dificuldades, nos permite conhecer os nossos limites e o quanto estamos dispostos a pagar para seguir adiante na tentativa de realizar os nossos desejos. Esperar que as realizações é uma grande cilada, afinal, expectativa sem atitude é o caminho mais fácil para a frustração. Percebo que a cada ano que passa, somos contemplados com uma nova chance de compreender que realizar sonhos é um processo de aprendizado. O que não é uma tarefa fácil, mas é, sem dúvida, uma grande chance de garantirmos que, ano após ano, manteremos o nosso direito de sonhar e de aprender como transforma-los em realidade.