Triste é viver sem emoção

Assistir a uma cena, seja real ou fictícia pode, subitamente, provocar um sorriso, uma lágrima, um alívio ou até mesmo um medo. Todas são reações possíveis diante de um estímulo mas, o que é capaz de nos tocar e baixar a vigilância da consciência, a ponto de permitir que sensações e emoções venham à tona?

Todos nós sentimos o mundo ao nosso redor de um jeito bem particular. Há aqueles que se emocionam em filmes, com novelas ou comerciais de TV. Outros são tocados por literatura, peças de teatro, textos da internet e, ainda existem os casos extremos, daqueles que se comovem por tudo e dos que estão sempre indiferentes a maioria das coisas.

Independente do estilo de cada um, é sempre muito bom sentir. Tenho a impressão de que quanto maior for a nossa disponibilidade para as emoções, mais equilibrados e melhores ficamos. Quando se pensa em sentir, é necessário incluir nesse pacote, não somente as emoções que nos trazem bem estar, mas também aquelas que mostram a realidade dura e sem rodeios, tão presente no universo de cada um de nós.

Vivemos fortemente cercados por sensações de todas as naturezas e intensidades, que nos bombardeiam sem piedade. Talvez este seja o momento da nossa história onde temos a mais ampla oferta de fontes de emoções. Porém, ironicamente, estamos cada vez menos sensíveis e interessados em tudo aquilo que é capaz de nos emocionar.

A velocidade alucinante imposta por nosso estilo de vida, acaba impedindo que fiquemos concentrados em qualquer coisa por muito tempo, e isso vai diluindo a nossa percepção sobre as pequenas coisas que, sob o ponto de vista correto, poderiam nos emocionar intensa e verdadeiramente.

Como não endurecer? Esse é certamente um exercício muito difícil, uma vez que cada um sabe onde o sapato lhe aperta mais e quais as dores e delícias que temos de enfrentar diariamente para sermos quem somos. De todo modo, resistir é uma obrigação e, de forma quase heróica, precisamos preservar aquilo que nos diferencia uns dos outros e nos permite mudar inúmeras vezes, baseado nos estímulos que nos afetam e que chamamos de emoções.

Seja a visão de um casal de idosos caminhando de mãos dadas ou de uma criança que sofreu maus tratos, em ambos os casos, sentimos que nossos corpos se alteram, às vezes de forma sutil, às vezes com violência, mas, independente da reação final, são as nossas emoções as responsáveis por nossa capacidade de reação.

Quando no apaixonamos, ficamos absolutamente à mercê de sensações que, normalmente, não fariam a menor diferença. O coração não saltaria pela boca quando recebemos um telefonema ou uma mensagem de texto, nem tampouco acharíamos graça de piadas do gosto duvidoso. Pequenos exemplos de como nossas emoções nos transformam e nós sequer percebemos.

Extremos emocionais à parte, poucas coisas são tão agradáveis quanto sentir nossas emoções em doses suaves. Imagine sentar em algum lugar que nos faça sentir bem e contemplar tudo aquilo que estiver em nosso campo de visão. Crianças correndo, casais brigando, cachorros latindo, pessoas se exercitando… Garanto que todos visualizaram estas cenas e que, cada uma delas, foi capaz de despertar sensações diferentes motivadas por emoções distintas.

Nossas emoções poderiam ser, facilmente, mais um dos nossos sentidos. É a partir delas que percebemos o mundo e as pessoas que nos cercam e é a partir delas que trocamos experiências de todos os tipos. Tornar-se indiferente e imune às emoções é, sem dúvida, perder uma maneira deliciosa de se relacionar consigo e com o mundo.