Aqui pensando

Todas as vezes em que as anotações começam a ganhar vida, tenho a certeza de que novas visões de mundo começarão a tomar forma. E, à medida que as ideias surgem, afoitas e indomadas, é preciso compreendê-las e sermos gentis, pois esse turbilhão de novas possibilidades se formará todas as vezes em que nos colocarmos disponíveis para observar o mundo e as pessoas que nos cercam. Pensar é uma dádiva cada vez mais subestimada, mas que nos permite entender que, existem muitas saídas, para os caminhos que pareciam não ter volta. Ficar aqui pensando, não nos torna alheios ao que nos rodeia, ao contrário, nos permite ir além das inexplicáveis limitações impostas por nós mesmos.

Pensar é uma arte inquieta que, quanto mais nos dedicamos a ela, mais curiosos nos tornamos. As ideias pretensamente ingênuas que temos o tempo todo, pretendem mesmo, é provocar pequenos incômodos, daqueles que vão acendendo luzes à medida em que observamos a vida real passar diante de nossos olhos. Estas ideias nos tiram do atmosfera do óbvio e, com isso, permitem que consigamos, nem que seja por alguns instantes, enxergar muito além do que nossos olhos podem alcançar.

O que fazer quando chegamos ao ponto final de um livro, ao término de uma relação ou ao fim de uma conversa casual? Talvez pensar sobre o que acabou ser vivido, seja uma excelente opção. Mas, pensar sem agir não muda muita coisa, certo? Possivelmente não, mas ajuda muito nos momentos em que a ação precisa ser, antes de tudo, pensada. O que parece óbvio, não fosse a nossa dificuldade em lembrar disso quando, o agir nos permite fazer tudo, exceto, pensar…

Pensamentos não deveriam ser privilégios individuais. Dividir ideias transforma o nosso universo particular em diálogos cheios de cores que iluminam nossos olhares cansados de enxergar tudo sempre igual. É uma pena perceber que tantos resistem em compartilhar seus pensamentos, admitindo, de antemão, que não seriam capazes de mudar suas convicções ou seus pontos de vista. Castelos de areia disfarçados de pedra bruta.

Pensamento em divisão promove a soma de um sem número de pessoas que entregam seus anseios e desejos, medos e conquistas nas mãos de outros, que também tentam fazer o mesmo. Não há garantias de que isso dará certo, mas a simples tentativa, já é capaz de nos presentear com uma nova experiência que, mesmo sem perceber, nos fará pensar se acertamos ou erramos. Mas, independentemente do resultado, trocar ideias, mesmo que de forma sutil, já é, por si só, um caminho de transformação definitiva.

Essa troca de pensamentos é capaz de gerar algo ainda mais incrível: a gratidão. Receber aquilo que o outro guarda intimamente em suas caixas de passado e ofertar as suas em troca é, acima de tudo, uma linda forma de agradecimento. Desnudar seus pensamentos é, além de um ato de coragem, um convite a uma caminhada de mãos dadas onde os laços de confiança serão bens valiosíssimos sem, jamais, tornarem-se amarras.

Pensar juntos constrói cúmplices que não aceitam mais ser um só. Pensar em comunidade cria uma legião de parceiros leais que confiam e esperam que estejamos por perto, sempre que necessário. Dividir pensamentos semanalmente, transforma o cientista em escritor, o professor em um contador de estórias e o escritor em parceiro de milhares de pessoas que desejam, de alguma forma, continuar juntos com ele nessa caminhada de muitos e de cada vez mais. Sempre juntos, aqui pensando…

Muito obrigado.

Marco Rocha.

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