Sob pressão

Como está a vida? Se fizermos essa pergunta a pessoas próximas, a resposta será a mesma: uma grande correria. Viver sob pressão é algo inerente ao que resolvemos chamar de vida moderna. Mas será que precisamos, de fato, correr tanto para alcançar e conquistar o que estiver em nosso caminho? Bom, cada um de nós desenha a própria estrada, mas, no geral, viver a vida como se estivéssemos em uma eterna corrida de velocidade, é a maneira mais fácil de alienar-se diante do mundo. Além de ser muito cansativo.

Que somos pressionados com uma frequência acima do aceitável, não é segredo. Vivemos em meio a um turbilhão de vozes que ordenam e cobram atitudes o tempo todo, em um esquema semelhante a uma linha de montagem, onde é necessário alcançar um produto final e acabado no menor tempo possível. Pouco importa como faremos para executar essa tarefa e qual será o custo pessoal ao final dessa empreitada. Simplesmente execute e não reclame. Afinal, o mundo não respeita aqueles que não suportam pressão…

Ouvimos essa bobagem repetidas vezes como se fosse uma verdade absoluta. Até que se torne, de fato, algo que acreditamos ser verdadeiro. É claro que existem cobranças óbvias, uma vez que todos compartilhamos a vontade de chegar ao lugar mais alto em nossa escala de sucesso. Mesmo sem saber direito que escala é essa. Para muitos de nós, querer o melhor significa, às vezes, apenas mudar a configuração do seu momento atual, sem manobras mirabolantes ou mudanças profundas. Desejos despretensiosos em sua gênese. Até serem confrontados com a pressão causada por opiniões alheias e vontades que superam a nossa capacidade de decisão.

Isso quer dizer, então, que a nossa trajetória deveria ser muito mais tranquila, se não fossem as pressões que sofremos a todo instante? Possivelmente, mas é difícil identificar se é a pressão que vem de fora, a causadora do nosso sofrimento ou, se nascemos com uma queda pela autocobrança. Ambos podem ser fontes isoladas, ou não, responsáveis por nos empurrar para essa eterna corrida rumo ao que quer que seja. E que, via de regra, tornam-se responsáveis por tropeços frequentes e, muitas vezes, desnecessários.

A pressão cria um estado de atenção permanente que, independente do lugar que ocupamos, estabelece uma tensão tão recorrente que passamos a aceita-la como parte de nós. Nos acostumamos, estranhamente, as batidas aceleradas de um coração em frequente descompasso e a noites de sono vazias repletas de picos de ansiedade.

Esse estado de alerta começa em momentos diferentes de nossas vidas e, a influência que terá sobre nós, vai depender de quanto tempo, cada um consegue manter-se imune aos seus efeitos. Sempre teremos, pairando sobre nossas cabeças, uma mão pesada que mostrará sua força por muitas vezes. Ora sentiremos pânico, ora acharemos necessária a presença deste impulso que nos arremessa adiante. O problema é quando aceitamos a pressão como uma obrigação. Um calvário voluntário que não cansa de dizer que, momentos de calmaria são exceções descartáveis. E, dessa forma, seguimos pressionados, porque acreditamos que é assim que deve ser. Não devemos, jamais, acreditar nisso.

Criamos códigos que disfarçam bem os nossos momentos mais tensos. Não é por acaso que lançamos mão de sorrisos largos que tentam mostrar felicidades desmedidas. Sentir-se pressionado frequentemente, nos faz criar rotas de fuga que mascaram incômodos e mostram aos nossos espectadores, que estaremos sempre prontos para o que der e vier. É possível mudar esse caminho que parece inevitável? Sim. Gestos simples podem ajudar. Olhar para dentro e perceber se qualquer querer justifica uma existência sob pressão, é um bom começo. É importante ter em mente que sempre estaremos diante de muitas batalhas, mas que, nem todas, valem o preço do nosso valioso sossego.