O que eu quero ser quando crescer?

Desde sempre somos bombardeados por influências de todos os lados. Isso significa que somos, de alguma maneira, obrigados a nos encaixar em formatos pré-estabelecidos desde muito cedo. Porém, quando crianças, somos capazes de alcançar os lugares mais inusitados apenas usando a nossa fértil imaginação e, para isso, basta usar a mágica pergunta “o que eu quero ser quando crescer?”

Com o passar dos anos, os anseios de se transformar em bombeiros heróis, astronautas na lua, médicos de formigas e pilotos de foguete, dão lugar a sonhos mais pragmáticos e que, normalmente, apresentam a vida como ela é. Prática e sem rodeios.

Ainda muito jovens, começamos a olhar o mundo a nossa volta e estabelecer padrões que podem ser seguidos, às vezes por vontade própria, às vezes… No geral, seguimos os caminhos previamente traçados por quem veio antes de nós. Pais, professores, tios ou amigos próximos. Talvez façamos isso porque vemos nessas pessoas, modelos bem sucedidos de como ganhar o pão nosso de cada dia.

Com isso, as crianças piratas do espaço, caçadoras de tesouros perdidos e bailarinas das nuvens, cedem lugar a jovens trabalhadores que, muitas vezes, constroem suas estradas na direção oposta dos seus sonhos. Não pensem que isto é uma crítica, é apenas uma constatação.

Há muitas gerações, as pessoas escolhem ou são levadas a escolhas que podem se tornar certezas para o resto de suas vidas. Este é um ciclo muito natural para a grande maioria até os dias de hoje, afinal, é muito difícil escapar do impiedoso rolo compressor que é a vida adulta, sempre cheia de urgências e sem tempo a perder. Mergulhados no olho desse furacão, não nos damos conta que, dentre todas as situações que nos são impostas, somos obrigados a deixar sonhos marotos adormecidos e bem escondidos em nossos compartimentos mais íntimos.

Para alguns, isso pode causar alguma angústia ou frustração, mas a vida nos mostra que decepções só são percebidas quando temos consciência das escolhas que abraçamos. Outros tantos, acreditam que suas escolhas não provocaram perdas, são frutos apenas frutos de planejamento e determinação. O que é incrível!

De todo modo, o olhar para dentro e o auto questionamento são para lá de saudáveis. Cada período de nossas vidas imprime um “EU” diferente em todo nós que, de tempos em tempos, resolvem coexistir, o que pode ser ótimo, pois nos possibilita resgatar bons hábitos e ainda desenvolver novos pontos de vista.

Isso me faz acreditar, cada vez mais, que somos os principais agentes responsáveis por nossas transformações que, muitas vezes são tão sutis que sequer percebemos quando de fato acontecem.

Tudo isso serve para ilustrar que, apesar das nossas escolhas prematuras, continuamos a ser muitos e quanto mais o tempo passa, mais diversos e interessantes podemos ser e, sem medo de errar, podemos e devemos criar túneis e atalhos, e até algumas paradas, em uma estrada que foi construída para seguir em linha reta.

Então, quando se perguntar o que quer ser quando crescer, tenha em mente que crescer nunca é um ponto final e que nossos anseios infantis adormecidos podem acordar a qualquer momento e reclamar seu lugar de direito, decidindo que crescer não tem a ver com idade ou conquistas, e sim, com a vontade de viver.