O novo ano

Olhar para trás ou para frente? O último dia do ano tem o poder de criar um transe coletivo, que provoca uma explosão que reúne sentimentos e lembranças das coisas que já vivemos, com as esperanças e incertezas sobre o novo ano que está por vir.

Mas, independente de como tenha sido o ano que passou, a transformação no calendário cria uma atmosfera quase mágica que nos permite, dentre outras coisas, deixar os problemas de lado e celebrar tudo aquilo que foi importante e desejar que dias mais tranquilos estejam reservados para nós.

O tão celebrado ano novo é muito curioso. Já perceberam que, com a sua chegada, nos aproximamos da criança que fomos um dia? Somos tomados por uma esperança quase ingênua que nos leva a listar infinitos desejos até quase perder o fôlego, com um brilho no olhar que que não se nota todos os dias e com uma pureza que, infelizmente, não conseguimos demonstrar com facilidade.

Nesses momentos, nos aproximamos daqueles que são preciosos para nós. Não apenas porque são familiares e amigos, mas porque é junto a eles que conseguimos dividir as nossas experiências e fortalecer vínculos que se afrouxaram, mesmo contra a nossa vontade. À medida que a vida vai passando, entendemos que as datas emblemáticas como o ano novo, são, na verdade, refúgios que nos obrigam a desacelerar, respirar fundo e olhar para quem está ao nosso redor.

Mas, até aí, tudo bem. Já conhecemos e repetimos esse comportamento ano após ano. Lembramos que é preciso ter por perto quem importa mas, por que, então, não fazemos isso com mais frequência? Culpamos a vida corrida e, com isso, tentamos convencer aos outros e a nós mesmos que somos mais ocupados do realmente somos. Criando, assim, uma mentirinha sincera para atenuar a nossa ausência.

Entendo que não há como negar que somos tragados pela rotina que individualiza e afasta da coletividade. Mas, por mais inevitável que isso possa parecer, é preciso um criar um movimento contrário que nos force a encarar o lado oposto e incluir nas agendas tão superestimadas, aqueles de quem só lembramos ao fim de cada ano.

Quem de nós não está com uma lista repleta de desejos novos e antigos para o ano novo que se inicia? Quantos seguirão adiante e quantos serão abandonados pelo caminho? As incertezas da virada serão sempre equivalentes ao número de pedidos que projetamos. Há os simples, os desafiadores e os quase impossíveis. Desejos que nos transportam para realidades fantásticas onde podemos compartilhar o que queremos, com quem faz a diferença.

Mas, por que  deixar que isso fique restrito a nossa imaginação? Não faz muito sentido passarmos tanto tempo pensando em “como teria sido”, se não for para transferir energia para fazer as coisas acontecerem de fato. São tantas distrações irrelevantes, que impor limites a elas é quase um ato de resistência. E é isso que nos transformará em pessoas mais disponíveis para pôr em prática todos os planos que imaginamos para o ano que acaba de começar.

Por estas e outras razões, que é necessário olhar para trás e conferir o que foi feito, o que foi deixado de lado e o que valeu a pena. Assim como olhar para frente e adaptar seus sonhos ao novo ano. Inclua todos os que puder e não se esqueça de traçar caminhos largos para que muitos desejos, pessoas e experiências possas pedir passagem. E, se for possível seguir um conselho para o ano que acaba de nascer, esteja sempre disponível para aquilo que a vida te oferecer.

Feliz 2018.