Onde foi que eu errei?

Se algo que planejamos, por mais simples que seja, não sair como o esperado, imediatamente uma pergunta nos vem à cabeça: Onde foi que eu errei? Mesmo sendo um pensamento tão recorrente e que, certamente, azucrinou a todos em algum momento da vida, nunca ficou muito claro para mim o porquê, dentre tantas opções, escolhemos a nós mesmos como os únicos responsáveis por expectativas não realizadas.

Por que devemos sempre ser os responsáveis por erros e insucessos vida afora? Isso, além de injusto, não faz muito sentido, uma vez que transformar anseios em realizações, depende de muitos fatores e, por esta razão, dificilmente será um trabalho solitário. A consolidação de sonhos é uma obra coletiva. Não podemos virar as costas para as parcerias que podem nos ajudar a seguir em frente ou a colocar pedras na nossa estrada.

Porém, apesar disso, já perceberam que na maioria das vezes em que vencemos, tratamos logo de dividir o sucesso entre nossos pares? Mas o contrário não é verdadeiro. Em momentos de fracasso, nos autodeclaramos culpados de forma quase instantânea, sempre que uma situação desfavorável se põe diante de nós. O que é bem estranho. Se as vitórias são coletivas, por que, então, nos habituamos a pagar as contas por supostos erros de forma tão solitária?

Perguntar-se onde está a fonte de um erro pode indicar três caminhos. Um deles leva a uma autoanálise que pode, com sorte, indicar não um, mas vários comportamentos que repetimos e que nos levam a cometer erros com uma frequência maior do que gostaríamos. O outro, nos mostra que fazemos, quase sempre, um julgamento equivocado sobre o que, de fato, significa errar. Quem disse que o erro não é, na verdade, um acerto fora de hora? Quem nunca, e por muitas vezes, se viu obrigado a amargar erros presentes mas que, no futuro, transformaram-se em acertos monumentais? O erro, em alguns casos, não passa de um acerto fora de foco.

O terceiro caminho é aquele em que o erro alheio, torna-se responsabilidade nossa. Relacionamentos que não dão certo e amizades que não correspondem as expectativas, são suficientes para disparar gatilhos de uma estranha culpa que, por um instante, coloca em dúvida a nossa capacidade de discernir entre o certo e o errado ou o entre o que é problema nosso e o que não é de jeito nenhum.

É fácil saber quando erramos. Difícil é perceber a sequência de eventos que nos conduzem ao erro. Podemos optar pela facilidade de responsabilizar os outros pelos nossos próprios fracassos. O que é bastante comum, apesar de leviano e nada ético. Podemos fingir que nada aconteceu e minimizar os erros como se fossem atitudes inofensivas. Outra atitude compartilhada por aqueles que primam pelo cinismo e a ausência de empatia. Há ainda a possibilidade de carregar todo o peso dos seus, dos nossos e dos vossos erros nas costas. O que é, por si só, um grande equívoco e uma grande perda de tempo.

Onde foi que eu errei? Talvez o nosso grande engano seja não perceber que os erros que cometemos nos permitem segundas chances, ou que são resultados de possibilidades que, por alguma razão, não resultaram naquilo que esperamos. Isso não nos transforma em fracassados ou perdedores, como muitos nos fazem acreditar. Equívocos, fracassos, enganos… chame como quiser, mas nunca permita que eles alcancem dimensões que não possuem. Erros são atitudes que, na imensa maioria das vezes precisam, apenas, de uma pequena mudança de rota para que se tornem grandes acertos.