O fim do amar

Coração acelerado. Boca seca. Ausência das palavras… Esses são sinais claros de paixão. Sintomas físicos que avisam que o amor está chegando. Quem nunca sentiu isso ou ouviu inúmeras canções que te colocam em sintonia com o amor em duas ou três notas?

Ah, o amor! Cantado em prosa e verso, inspiração de poetas, marca registrada de incontáveis filmes, séries, peças, romances… Vendo por esse ponto, o amor é imbatível. todos o querem por perto e, principalmente, querem falar dele, não importa como.

Mas a proposta aqui é falar sobre o fim do amor. Você deve pensar que lá vem mais um textão melancólico sobre as derrotas e tragédias do desamor… Não, não é isso!

Amar tem data de fabricação, mas a validade do produto mais cobiçado do mercado não é determinada no momento em que nasce. Pode durar o tempo da leitura deste texto ou uma vida inteira e como já dizia o poeta “que seja infinito enquanto dure…”

O que fazer quando o amor acaba? Sempre associamos o fim do amor ao término de relações, ao rompimento de contratos de amor eterno que, quase sempre, provocam alguma ou muita dor e sofrimento. Mas muitos relacionamentos duram anos, mesmo sem amor recíproco, sem o amar e ser amado. E é aí que me pergunto… Se é tão óbvio o início do amor, por que é tão difícil perceber quando ele se vai? A origem do amor é marcante e sempre nos lembraremos de sua chegada, mas nunca teremos a clareza sobre sua partida.

O amor é tão precioso que nos leva a fazer coisas que, muitas vezes não ousaríamos fazer se estivéssemos “sóbrios”. E por quê? Porque o consideramos raro e, se é raro, tem que ser preservado. Será?

Se manter em um relacionamento sem amor é quase obrigatório para a maioria das pessoas. É importante ter alguém pra chamar de seu, pelo menos por um tempo. Não seria mais justo abrir mão de um laço puído e fraco, liberando as pessoas desse teatro sem plateia? Racionalmente parece o melhor caminho a seguir, mas como fomos talhados para acreditar que a felicidade só existe se for a dois, estar só é praticamente um castigo.

Se pensarmos no fim do amor independente da dor, decepção, choros e afins, fica fácil entender a importância do deixar de amar e, perceber isso é, no mínimo, libertador. É leve. É restaurador.

Esse é o momento em que deveríamos olhar pra dentro o mais profundamente que pudermos e perceber quem está ali depois que o amor se vai. Encarar nosso reflexo e pensar que está diante de alguém em que vale a pena investir e, com isso, começar um novo e definitivo caso de amor. Nada é mais precioso que o autoamor. É ele que nos protege do árido mundo real que nos massacra o tempo todo, dizendo que “é impossível ser feliz sozinho!” Não, isso não é verdade, poeta.

Devemos, sobretudo, nos render ao verso que diz “fundamental é mesmo o amor”, mas sem perder de vista que fundamental é se amar, se querer bem e nunca esquecer que, em muitos momentos, se libertar daquele amor idealizado é o que te faz seguir em frente, em direção ao caminho da real felicidade. Não sabemos ao certo quando o amor vai embora, mas podemos estabelecer que ser feliz não depende do outro, depende de nós e isso só é possível quando entendemos a força e a importância do desamar. Perceber que o fim da linha do amor é, na verdade, uma incrível linha de chegada.