O conforto e suas zonas

Conforto… a simples menção dessa palavra, vem acompanhada de um calor que nos faz desejar estar em qualquer lugar que possa nos acolher. Um colo de mãe, a palavra certa no momento necessário ou um café quente em um dia frio, trazem sentimentos e memórias que ajudam a respirar nas horas difíceis.

Já, a ausência de conforto, expõe nossas inseguranças e medos e isso, obviamente, ninguém quer. Apesar de indesejável, a sensação de estar inadequado possibilita que enxerguemos algumas rotas de fuga capazes de, não apenas, nos salvar de embaraços, mas também, de iluminar caminhos até então, desconhecidos.

À medida que construímos planos de vida, via de regra, pensamos em conquistas que irão nos proporcionar qualidade em nosso viver. O que para uns pode ser uma volta ao mundo, para outros, basta um bom papo com um vinho e um pôr do sol, para que a felicidade se expresse. Em ambas as situações, há uma atmosfera agradavelmente envolvida por um desejo de que aquilo se torne realidade. Mas, o que nos leva a desejar que nossos sonhos  transformem-se em experiências? A certeza de que, nos sonhos, estaremos  repletos de conforto.

Partindo da premissa que estar confortável é tudo o que se quer, por que, então, criamos um padrão de comportamento que nos obriga a falar mal dos momentos em que estamos ocupando o lugar, que nos habituamos a chamar de zona de conforto? Parece contraditório, e é.

Todas as vezes que nos damos conta de que algum setor das nossas vidas, não apresenta mais a mesma intensidade exibida tempos atrás, achamos por  bem fazer uso do termo que caiu no senso comum e, passamos a maldizer aquilo que levamos uma vida querendo alcançar: o conforto.

Mas, será que é tão ruim assim alcançar esta zona? Para responder a essa pergunta, é preciso compreender o que significa conforto, de fato, e qual é a sua importância na vida de cada um de nós. Basta olharmos para as pessoas que nos cercam. Alguns almejaram alcançar posições e, ao chegarem lá, sentem-se plenos, realizados e desprovidos de qualquer culpa. Já, outros, cobram-se duramente, pois acreditam que sempre há um novo degrau a subir e que, estar confortável, é estar acomodado.

Nesta questão não há certos e errados. O grande engano é pensar que todos devemos seguir padrões que, supostamente, nos tornam mais competitivos, mais espertos e imunes a derrotas e decepções. Isso é ruim, uma vez que estabelece que todos, sem exceção, precisam sentir-se inadequados de alguma forma, para que possam seguir em frente na busca por seus sonhos. Talvez seja necessário compreender que o céu até pode ser o limite, mas que esse limite irá variar de acordo com o tamanho do sonho de cada um.

A partir disso, é bem provável que consigamos olhar para o conforto como aquele velho amigo que desejamos encontrar e ter por perto sempre que possível. Sem pressão, sem cobranças. Não há nada pior que sentir-se parte de algo mas que, por conta de um movimento alheio ao nosso desejo, temos que abandonar a nossa zona de conforto, porque alguém disse que aquilo não era suficiente.

Felizmente, a percepção sobre o que nos faz sentir confortáveis, muda com o passar do tempo. Sendo assim, não se perca em modelos que determinam até  onde você deve ir. Vá para onde quiser, fique o tempo que desejar e lembre-se: zona de conforto é aquela onde se quer estar.