Novos tempos

Todo fim de ano é igual. Fazemos promessas sem limites, desejamos mais saúde, mais dinheiro, amor e prosperidade. Até aí tudo bem, pois, de maneira geral, depositamos todas as nossas fichas no futuro, acreditando que o inesperado e o desconhecido realizem todos os nossos desejos.

Estamos sempre tentando suprir nossas carências através da busca por aquilo que não alcançamos e por coisas que nem sabemos direito se queremos ou não. O que é absolutamente normal, uma vez que a capacidade de projetar em sonhos os nossos desejos não conhece limites. O conjunto que reúne nossas vontades e incertezas é o combustível que alimenta um dos nossos melhores sentimentos: a esperança!

Esse é, sem dúvidas, o sentimento que nos faz olhar para frente e acreditar que no futuro reside a fonte dos nossos desejos realizados e, independente do tempo, em algum momento transformaremos em realidade os nossos sonhos.

O novo ano traz consigo essa capacidade de reunir milhões e milhões de pessoas a partir da união de suas esperanças e desejos. Que podem ser de origens muito diferentes, mas que, certamente, tem como grande objetivo, a transformação de suas vidas para melhor. Ainda que o mundo, a vida e as circunstâncias nos conduzam por caminhos com muito mais curvas do que retas, a nossa vontade, quase irracional, de realizar nossas promessas, nos impulsiona a seguir, apesar dos pesares.

Mas, se todos estão em sintonia na busca pela concretização dos seus anseios, por que então, as coisas nem sempre saem como se espera? Muitas vezes não medimos muito bem a distância entre o sonho e a realização, o que pode, com freqüência, provocar a sensação de que existem sonhos possíveis e outros nem tanto.

Desejar sem planejar pode aprisionar nossos projetos na categoria de sonhos. O que, de certa forma, nos exime da frustração provocada por possíveis insucessos, uma vez que sonhos são etéreos e não precisam ser obrigatoriamente realizados. Sendo assim, criamos estradas paralelas que se conectam vez ou outra. Uma delas abriga sonhos rasos e sem maiores planejamentos, daqueles que nos permitem desejar por um sapato, uma viagem ou um carro e que, com algum esforço, conseguimos realizar. Na outra via, enxergamos os sonhos mais antigos, grandiosos e, teoricamente, mais difíceis de concretizar.

Qual seria o propósito de seguir por vias paralelas que apresentam limites de velocidade e paisagens tão distintas? Percebo muitas respostas, mas esta talvez seja, mesmo que de forma inconsciente, a estratégia que encontramos para nunca deixar de sonhar e continuar seguindo em frente, uma vez que o cotidiano é, em muitos momentos, o responsável por apagar as cores vibrantes dos nossos sonhos.

E quando isso acontece, ficamos diante de um dilema: endurecer diante da vida, nos tornando menos sensíveis ao mundo que nos cerca ou acessar a estrada dos sonhos exuberantes e assim redescobrir o prazer de se transportar para dimensões que nos permitem ser o que quisermos ser.

Sonhar é bom. Sonhar é indispensável e nos garante uma agradável lucidez. Mas sonhos carecem de realização. Pôr em prática aquilo que projetamos intimamente nos deixa plenos e ávidos por novas conquistas. E se a travessia que fazemos ao longo dos 365 dias nos afasta das nossas promessas particulares, é na transição entres os anos velho e novo que recuperamos, de forma arrebatadora, a nossa capacidade de sonhar, de avaliar o que passou e fazer novos planos.

A chegada de um novo tempo é, também, o momento de renovação daquele sentimento que nos pega pela mão e mostra que o novo estará disponível para realizações, quedas, aprendizados e surpresas e que, para isso acontecer, basta apenas uma coisa: ter esperança! Feliz ano novo!!!