Ideias, pensamentos e memórias

Todas as vezes em que iniciamos um novo projeto, somos arrebatados por uma enxurrada de ideias que, aos poucos, vão se acalmando e se organizando. Às vezes de forma cordial, às vezes travando batalhas violentas, na tentativa de fazerem parte da história que vai nascer. Porém, neste processo, uma questão se faz presente: Qual é a origem da diversidade de pensamentos e ideias que povoam as nossas cabeças e que ajudam a formar as nossas memórias? Uma pergunta nada fácil de responder, uma vez que exige respostas autênticas e muito particulares.

Estar onde estamos é, obviamente, fruto de uma caminhada nada fácil. Nos perdemos, mudamos de ideia com frequência, sofremos mais do que gostaríamos mas, sobretudo, somos agraciados por experiências transformadoras que são responsáveis por nos trazer até aqui. Muitas delas caem no esquecimento, muitas são lembradas eventualmente e, algumas, são companheiras fiéis por anos e anos. Esse acumulado de horas vividas reflete, não apenas a nossa biografia, mas aquilo que queremos ser no futuro e por quais estradas queremos seguir.

Vendo as coisas por esse ângulo, é possível acreditar, então, que cada momento vivido conta… e muito. Apesar disso, passamos anos acreditando piamente que, pensamos e agimos de acordo com a nossa natureza, personalidade ou que é o destino, o responsável por nossas ações. Dependendo do que acreditamos, isso pode até ser verdade, mas não completamente.

Cada um de nós, pode ter um temperamento que sinaliza para onde seguir, mas é o resultado de experiências prévias que servem de suporte para novas decisões. O que pode ser a salvação para novas ciladas e possíveis constrangimentos desnecessários. Pena que isso, nem sempre, é uma realidade.

Quantas e quantas vezes, repetimos um padrão de comportamento, apesar de sabermos de antemão, qual será o fim da estória? Muda o elenco, mas o roteiro é sempre o mesmo, assim como o seu desfecho. Todos nós já protagonizamos esse mesmo filme, mas é possível mudar esse final, uma vez que, muito do que vivemos não depende apenas do outro. A nossa conivência sempre dará a palavra final, independente da situação.

A grande questão está em saber como usar a memória a nosso favor. Sei que é, praticamente impossível, manter a nossa reserva de experiências atualizada o tempo todo mas, ficar uma pouco mais atento ao que se vive pode, alem de poupar sofrimento, aumentar o crédito de felicidade de todas as formas, cores e tamanhos.

À medida que vencemos as décadas de vida, vamos ressignificando tudo aquilo que nos rodeia e que é, de fato, importante. Brigas em família perdem o sentido, dizer sim para tudo não é mais uma necessidade e, dizer não, torna-se um hábito libertador. Talvez este seja um dos grandes sentidos do envelhecer.

A falta de experiências, próprias da juventude, nos apresenta ao exagero e descontrole. A maturidade, chega de mansinho, provando que, com calma, é possível desfrutar mais e por muito mais tempo, as situações que vivemos todos os dias.

Dessa forma, concluímos que não há formula única que explique a diversidade de ideias que vive em nós. Ainda bem… Somos parte rocha e parte nuvens, que mudam de forma e cor, que desaparecem para em seguida surgirem pesadas e barulhentas. Mas sempre deixando registros que nos marcam e forjam os pilares daquilo que somos verdadeiramente. Por esta razão, quanto maior for o número de experiências vividas, mais fortes seremos e, se cada momento conta, por mais insignificante que possa parecer, é melhor fazer cada um deles valer a pena. É melhor fazer cada um deles se tornar… memorável.