A velocidade da vida

A  maioria de nós costuma dizer que a vida é muito curta, que tudo passa muito rápido e que, quase sempre, não conseguimos dar conta de todas as coisas que precisamos fazer enquanto estivermos por aqui. Difícil encontrar alguém que discorde dessa opinião tão sedimentada e, talvez por isso, não consigamos compreender qual é a real velocidade da vida que levamos.

O senso comum sobre a brevidade da nossa existência, deixa de lado o fato de que, em muitos casos, a vida, nem sempre, corre em um circuito de alta velocidade, ao contrário. Para muitos, viver pode ser um caminho longo e arrastado onde o tempo parece não ter pressa alguma para seguir em frente. A vida assumirá ritmos variados com base em um simples, mas poderoso, fator – as nossas decisões. Os desdobramentos das nossas escolhas é que irão ditar a velocidade real das nossas vidas.

A percepção que temos da realidade, independente da idade, é absolutamente particular, o que nos leva a criar algumas distorções sobre o nosso próprio tempo. Mas, dificilmente, relacionamos nosso ritmo de vida às decisões que tomamos. Agimos como se a vida, aquela entidade indomável e descolada de nós, fosse a única responsável pela realidade. O que pode nos eximir de qualquer traço de culpa por todas as decisões tomadas, sejam elas equivocadas ou não.

Todas as vezes em que estamos diante de um novo desafio, sobra pouco ou nenhum tempo para elaborar uma forma de agir. Vamos lá, aceitamos, ou não, e pronto. O que é absolutamente normal, não fosse o fato de ocultarmos a nossa responsabilidade sobre os efeitos dessas decisões e, de que formas, isso irá afetar a percepção que temos sobre a ação do tempo em nossas vidas.

Aceitar uma proposta de emprego. iniciar um relacionamento ou mudar de cidade. Situações distintas, criadas a partir de nossas decisões e que serão capazes de dizer se devemos correr atrás, o mais rápido que pudermos, das nossas escolhas ou, se iremos sentar e esperar o lento caminhar da vida que decidimos viver. De todo modo, decidir nunca é simples, até porque não temos ideia de como o futuro será de fato. Nos resta apenas desejar que dê tudo certo com as nossas escolhas e que sejamos felizes.

É neste ponto em que percebo o quanto a vida é muito mais longa do que querem nos fazer crer. Todos sabemos que existe um número incontável de experiências, de pessoas e lugares para serem vividos, conhecidos e experimentados. Mas isso não pode ser o motor principal que nos movimenta. Pensar em viver o hoje como se não houvesse amanhã é, antes de tudo, aceitar um estado de eterna ansiedade que, certamente, nos fará acreditar que, diante de tantas possibilidades, a vida sempre será curta demais.

A vida é cheia de possibilidades. Podemos mudar sempre que quisermos e de acordo com o nosso próprio tempo. Quem disse que precisamos correr, insanamente, atrás daquilo que nem sabemos o que é? Quem disse que, sem pressa, não se pode viver uma boa vida? Quem disse que a vida é curta demais para mudar de ideia? Aquele que disse para viver o hoje, como se não houvesse amanhã, possivelmente, perdeu-se entre suas escolhas e jamais conseguiu saborear com calma e prazer, as delícias de uma longa vida bem vivida.