A difícil arte da escolha

Todos os dias somos obrigados a tomar decisões. Levantar ou dormir por mais cinco minutinhos? Pegar o trem ou o metrô? Terminar um relacionamento? Trocar ou não de emprego? Experimentamos múltiplas sensações a cada vez que precisamos dizer sim, não ou talvez. Às vezes pode ser fácil decidir entre casar ou comprar um bicicleta, porém, em vários outros momentos, as decisões podem virar sua vida de ponta-cabeça.

Independentemente do desejo de cada um, as decisões pairam sobre as nossas cabeças, implorando por definições de nossa parte. O que provoca uma certa ansiedade, pois sabemos que as decisões mudam de acordo com o tempo que levam para serem tomadas. Nesse caso, é importante saber o quanto estamos disponíveis e interessados em lidar com as inevitáveis mudanças que acompanham as escolhas.

Ao jogarmos pedras em um lago, observamos a formação de pequenas ondas circulares e, dependendo da força do arremesso, essas ondas serão maiores e chegarão mais longe. O mesmo acontece quando fazemos escolhas. Algumas decisões podem criar movimentos bastante abrangentes, enquanto outras sequer são sentidas, mas é importante ter em mente que decisões tomadas são capazes de mudar rumos, opiniões e pessoas… sempre.

Quem dera fosse apenas a nossa pedra a ondular o espelho d’água. Um sem número de pessoas executa a mesma ação, o tempo todo. O que significa dizer que nós também somos afetados pelas ondas provocadas por decisões alheias. E isso nos faz viver dilemas diários onde precisamos conciliar aquilo que decidimos com os reflexos das decisões de outros.

Esta é uma equação dificílima e seu resultado pode pautar não apenas as escolhas que fazemos, mas também, a vida que levamos. Decidir-se nem sempre é algo que se aprende voluntariamente. Os pais fazem escolhas por seus filhos, professores por seus alunos e parceiros de vida também o fazem com frequência. O que me parece normal, mas a grande questão é: qual é o limite entre controlar suas decisões ou deixar que outros façam isso por você?

Definitivamente, este não é um horizonte claro e definido. Por vezes decidimos. Por vezes decidem por nós. Simples assim? Talvez seja, mas é difícil afirmar, uma vez que mudamos muito à medida que o tempo passa. Normalmente erramos muito nas escolhas e, quando jovens, isso até pode ser um problema mas, lá na frente, seremos gratos por muitas das decisões tortas que tomamos ou que permitimos que outros tomassem por nós.

Essa também é uma época onde nos arriscamos com frequência. Assumimos riscos, não apenas nas escolhas que fazemos, mas também na forma como autorizamos a influência de outras personalidades sobre as decisões que deveriam ser apenas nossas.

O tempo passa e as escolhas ruins deixam marcas. Passamos a perceber, com mais cuidado, aqueles que interferem no ir e vir de nossas decisões e assim nos tornamos mais autônomos e conscientes do que pode ser melhor ou pior para nós. O que de forma alguma, significa dizer que a maturidade só trará boas decisões. A maturidade traz, inclusive, a segurança para escolher aquilo que aparentemente pode ser uma grande roubada, mas que agora podemos, conscientemente, pagar para ver.

Não importa se é uma pessoa proativa e cheia de certezas ou aquela que usa a previsão do signo para definir a cor da roupa que usará, uma verdade única une estes dois perfis: ambos precisam escolher de que forma irão encarar a vida e isso, independente da trajetória de cada um, sempre será uma decisão pessoal e intransferível.