Sonhos são como brisa

A vida, essa jornada muito louca, pode ser tudo, menos previsível. Passamos um tempo considerável dessa viagem, pensando em “como seria se…” Seguimos criando nuvens com realidades paralelas que, usualmente, chamamos de sonhos. Nuvens que funcionam como estoques ilimitados, capazes de armazenar tudo aquilo que ainda não é compatível com o tempo presente. Sonhos são como brisa leve que alivia, acolhe e reascende esperanças de que, um dia, todo sonho pode se transformar em realidade.

Muitos acreditam que sonhos não passam de uma abstração, outros juram que são projeções de um futuro desejado e, ainda há aqueles que juram que sonhar pode conecta-los ao passado. Sonhar pode ser tudo isso, mas é acima de tudo, uma necessidade. Os sonhos são aqueles momentos únicos onde somos capazes de enxergar novas vidas dentro das nossas próprias. Olhamos para quem somos com um olhar estrangeiro, que busca novas referências e experiências. Sonhar é, antes de tudo, uma possibilidade real de fazer novas escolhas.

Quando nos remetemos a época em que vestíamos nossas capas infantis, não há como negar a vocação pueril pela imaginação, pela fantasia, pelo sonho. Crianças criam realidades que são inversamente proporcionais ao seu corpinho em formação. Crianças voam, conquistam o espaço sideral, nadam com baleias em oceanos bravios e dormem na lua, admirando as estrelas. Olhando do alto de nossos corpos adultos, esses sonhos não passam de delírios infantis, impossíveis de realizar. Gente grande esquece das lições que aprendeu quando era gente pequena. Uma pena… Crianças ensinam que sonhar grande é o que nos faz chegar mais longe.

À medida que crescemos e começamos a descobrir o que é controle, passamos a sonhar em amplitudes menores. O que antes tinha o tamanho do universo, agora é visto através de lentes um tanto míopes, incapazes de captar detalhes pequenos e sem brilho, que poderiam ser transformados em sonhos fantásticos. Isso não é uma regra mas, de fato, está cada vez mais difícil, sobrepor nossos doces delírios à realidade nua e crua que nos arrebata diariamente. Mas, sonhos são perenes e quando menos esperamos, florescem novamente e nos lembram que, independente do peso que carregamos, resistir é preciso.

Sonhar também pode ser apenas um verbo dito, sem medidas, por aí afora, quando nascemos com plenas possibilidades de realiza-los. Para muitos, sonhos são como caprichos que serão alcançados sempre que quiserem. Para muitos, muitos outros, sonhos também são caprichos, só que inalcançáveis. Não ter direito ao que parece ser tão simples e tão óbvio é a realidade de uma maioria que aprendeu desde muito cedo que, sonhar é um privilégio exclusivo de poucos.

A capacidade de sonhar é uma das maravilhas de ser humano. Privar-se desse presente, ou ser excluído dele, é igualmente perverso e injusto. As crianças que fomos e que ainda brincam dentro de nós, precisam de espaço para que continuem fazendo aquilo que fazem de melhor: sonhar grande. Tudo bem que, viver na casca adulta e cheia de responsabilidades, não facilita muito a nossa vida, mas não se deve abrir mão da dádiva que é sonhar, mesmo quando a realidade nos negar esse direito.

Se enxergar sob outras perspectivas, sejam elas grandes demais ou não, permite que sejamos quantos quisermos e, acima de tudo, nos ajuda a escolher quem realmente queremos ser e onde, de fato, queremos chegar. Sonhar é bom demais, mas transforma-los em realidade é, infinitamente melhor. Mas, para isso acontecer, não é preciso muito. Basta acreditar.

2 comentários em “Sonhos são como brisa”

  1. Sai a analítica subversiva (kkkkkk), entra a tia babona…

    Engraçado esse texto vir agora, logo depois dos meus sobrinhos passarem 2 dias comigo. Irmãos, um com 11 e a outra com 4 anos, é muito divertido estar com eles e poder embarcar no mundo das possibilidades quase infinitas (aprendo muito e recebo críticas consistentes às vezes). A mais nova, ama histórias e desde que reparei isso, eu não conto histórias pra ela, eu construo histórias com ela (quando irmão está junto, claro que participa também pq ele não vai se privar de colocar o seu tempero). Ela dá o tema, os nomes dos personagens e ajuda no desenrolar dos fatos. Uma vez que ela subiu de nível e agora já é “uma moça”, deixou de ser a Neném do Amor para ser a Princesa do Amor. E sim, desde que aprendeu a falar ela diz essas coisas, ninguém ensinou. Visto isso, na grande maioria dos contos o tema envolve amor. Mas nada de romance romântico. Amor genuíno, sem qualquer valoração, apenas amor.

    Acho isso td de uma pureza tão gostosa de se ver. Me preenche de uma forma que nem sei explicar. E lendo agora o texto e refletindo a respeito, me deu um aperto no peito… Em que momento ela parará de olhar o mundo como a Princesa do Amor? Eu nem sou a mãe mas me deu um nó na garganta e não quero que isso aconteça! E nesse caso, o meu sonho é que aos 30 ela se veja como Rainha do Amor (até pq ela também é mais uma do clã das Reginas) sem ter perdido essa essência inventiva.

    Nem sei bem se esse comentário está coerente com o texto, mas me levou pra essa minha vivência… Agora, pq a dinâmica dessa perda é tão inevitável? Pq não resistimos às podas e vamos ficando duros e frios o suficiente pra deixar pra trás o sonhar e o acreditar? Talvez o mundo esteja do jeito que está por conta dessa perda. Talvez as crianças tenham muito mais a nos ensinar que nós a elas em vários aspectos. Talvez haja uma criança sendo oprimida a todo instante dentro de cada um de nós e de repente seja salutar deixá-la vestir-se de super-herói e nadar com baleias e sereia e tocar estrelas. Pq não olhar o mundo com mais brilho nos olhos, sorriso nos lábios, coração puro e sinceridade? Pq muitas vezes o sistema introjeta conceitos tão absurdos que sonhar, especialmente o sonhar grande, é motivo de chacota, repressão ou exclusão automática de um grupo? Como construir novas realidades sem sonhos e planejamento a partir desses sonhos? Crianças são ótimas com isso! Se precisam de uma nave, elas pegam um balde e um pano e depois de um tempo pra customização, temos uma nave. É um barco que vc quer? Uma almofada e uma vassoura bastam, tá feito! E eu poderia trazer mais uma dezena de questões…

    Eu tô só a Luna aqui… “São tantas perguntas…” kkkkkkkkkkkkk

  2. Esse texto é aquele tipo de coisa que acho que todos nós sabemos, mas na correria do dia-a-dia, a gente esquece. Tem tanta coisa que a gente era melhor quando criança. Que pena que virar adulto envolve perder esse lado tão bonito.
    Lendo o comentário da Tati Regina, fiquei sorrindo aqui sozinha. Que vontade de segurar essa criança e pedir pra ela prometer que não vai perder isso nunca 🙂

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