Somos todos descartáveis

Desde muito cedo, somos levados a crer que precisamos, insanamente, de uma preparação que nos capacite para lidar com o “mundo lá fora”. Para isto, é necessário ser o melhor, o mais inteligente, o mais bonito, o mais esperto e, dessa forma, será possível realizar todos os nossos desejos…

Somos expostos a essa forma de pensar e agir ainda crianças. Muitas têm sua infância massacrada pelo excesso de atividades que, pretensamente, irá transformá-las em pessoas indispensáveis e especiais, para quem todas as portas estarão sempre abertas e prontas para recebê-las. Porém, a vida real insiste em dar rasteiras naqueles que, ingenuamente, acreditam ser, de alguma forma, insubstituíveis.

A grande questão é que à medida que o tempo segue seu fluxo, percebemos que aquelas portas escancaradas e acolhedoras que nos prometeram, costumam passar mais tempo fechadas do que abertas. O que nos permitirá apenas uma tentativa para tentar abrir todas as fechaduras que encontraremos vida afora.

Então, se a vida real nos mostrará que nossos planos prévios não são tão infalíveis como acreditamos, por que insistir neste perverso modelo de perfeição inatingível? É difícil bater o martelo sobre esta questão, mas é possível criar hipóteses.

Elevar o nível de exigência a patamares inalcançáveis pode fazer com que continuemos a seguir em frente, na busca por marcas maiores e melhores. O que não chega a ser ruim. Melhorar boas características é sempre positivo. Tornar-se bom como pessoa, nos ajuda a compreender melhor o papel que desempenhamos no mundo.

Porém, essa é uma generalização inevitável e que captura a todos de forma quase obrigatória. Somos colocados em um caldeirão, onde seremos formatados para fazer sempre o melhor, mesmo sabendo previamente que esta é uma missão quase impossível.

Formatos iguais para pessoas diversas. A união entre estas duas realidades, tende ao fracasso com uma certa frequência. Alteramos, muitas vezes, os nossos perfis originais para nos tornarmos adequados aos padrões, descaracterizando completamente, tudo aquilo que temos de mais genuíno e particular. Os resultados dessa padronização de personalidade são inúmeros e vão desde as roupas que usamos e livros que lemos, até a escolha de carreira e amores que serão vividos.

Diante desse panorama, fica claro que o modelo de perfeição e produtividade que aprendemos a admirar, cria, dentre outras coisas, chaves iguais para fechaduras completamente diferentes. O que significa dizer que nem todas as portas poderão ser abertas pelas mesmas chaves oriundas de uma produção em série.

A partir do momento em que deixamos de expressar as nuances que nos tornam únicos, para caber em moldes pré-fabricados, assumimos o grande risco de nos tornarmos desinteressantes e, cada vez mais, descartáveis…

Seguir cegamente os planos traçados por outros, assim como alimentar os sonhos alheios em detrimento da sua própria vontade, é um caminho bastante comum para tornar-se mais um na multidão. Não que ser mais um na multidão seja um problema, porém, ser mais um, igual a todos os outros, certamente é.

Entrar nos moldes em algum momento, é quase uma questão de sobrevivência coletiva, mas é importante ficar atento aos detalhes. Seguir padrões pode até ser considerado normal, mas, ser aprisionado por eles, jamais deveria ser. Valorize o que é único e seja a diferença.

3 pensamentos em “Somos todos descartáveis”

  1. O mais incrível e estranho nisso tudo, é que os padrões impostos sempre tendem à tornar a imagem totalmente distinta do original, da essência, as pessoas se moldam por um tempo, logo percebem que foram fruto de uma grande manipulação. #somosdescartáveis

  2. Lembro há muito tempo fui numa boate na Barra, e tinha a maior fila na porta. Reparei na fila que todos os homens eram iguais e todas as mulheres iguais tb. Cabelo, maquiagem, roupa, jeito de falar, estilo…
    Bem, tive que entrar pois era um aniversário. Mas já vi que ali não era o meu lugar.

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