Só sei que nada sei…

Qual a melhor postura devemos ter diante das situações que a vida nos apresenta? Normalmente as pessoas gostariam de ser firmes, fortes e decididas. Esses são perfis festejados e desejados pela grande maioria. Quem quer ser indeciso e vacilante aos olhos do mundo? Conheço poucos…

Estar certo sobre tudo. Saber sempre onde se quer chegar. Decretar certezas sobre a vida alheia. Isso pode parecer incrível a primeira vista, mas algumas páginas depois, esse comportamento se torna monótono e definitivo, afinal, o benefício da dúvida nos leva a reflexão e, o pragmatismo das certezas, nos engessa.

Quem nunca expressou, com firmeza, uma opinião sobre algum assunto do qual não sabe nada? Ou simplesmente disse ter certeza absoluta em relação a algo que nunca viu ou ouviu falar na vida? Pois é! São gestos que nem percebemos, talvez porque seja importante mostrar as pessoas a nossa volta o quão assertivo e seguro podemos ser. Uma doce ilusão que pode ser desmontada tão rapidamente quanto o impulso em afirmar “eu sei” sobre qualquer assunto.

Ser o “senhor sabe tudo” transmite uma sensação de fortaleza e atrai a admiração de quem está a sua volta. Mas é óbvio que não se sabe tudo e se engana aquele que acredita nisso. Portanto, não há nada de mau em ter dúvidas. Uma, duas, dez ou tantas quantas forem necessárias. Ter a certeza de não saber tudo é, antes de tudo, um lampejo de lucidez.

A literatura já nos mostrou há tempos que o “ser ou não ser” é de fato uma ótima questão. O conflito é pedagógico. Quanto maior o número de opções, mais refinada fica nossa capacidade de escolha. Não tem nada de errado em errar. É escolhendo a pior opção que sabemos que existem coisas melhores. É por isso que estar ou sentir-se certo sobre tudo impede a possibilidade de escolha. Decidir seguir por uma via de mão única antes mesmo da viagem começar, certamente nos privará da surpresa provocada por atalhos inesperados e, muitas vezes, surpreendentes.

A diversidade que nos envolve é tão impressionante que se atualiza segundo a segundo. Seria, e é, um extremo desperdício tomar sempre o mesmo caminho, pegar sempre o mesmo ônibus, ir sempre ao mesmo bar, não se permitir novas amizades e amores. Talvez muitos escolham a dureza da certeza por dificuldade de aceitar o novo e seguem, por anos, executando o mesmo padrão de comportamento.

Ser indeciso a ponto de se paralisar diante da vida, obviamente não é nada bom, assim como ser o super certo sobre tudo é pra lá de chato… Trata-se aqui é de equilíbrio. O caminho do meio, sem muros, que permita desvios, curvas acentuadas, se perder de vez em quando. Um caminho onde seja possível duvidar, errar, acertar e tomar decisões de acordo com as opções que a vida nos oferecer. Ser flexível torna nossa existência mais rica de experiências. Estar sempre certo reduz a possibilidade de diálogo e pode nos privar de muitos momentos especiais.

Imagine não ouvir as estórias daquele amigo querido e bom de papo, simplesmente porque não concordamos em alguns pontos de vista? Não ouvir é perder tempo e achar que sabemos tudo é perder mais tempo ainda. Viver se torna mais fácil quando acreditamos que uma dúvida sincera vale mais que uma certeza irresponsável.

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