Respeito é bom e eu gosto!

Muito se fala sobre o respeito à diferença nos dias atuais. O que é um caminho cheio de espinhos, uma vez que estamos afundados em um período onde a intolerância e indiferença se esparramam de forma sorrateira em grande parte das relações. O que torna bastante difícil saber o que os outros pensam de fato. Se agem de forma verdadeira ou se passam a vida fazendo pose.

Entendo que ser intenso e muito elaborado o tempo todo é difícil e, por vezes, cansativo, mas o contrário também não parece ser atraente. Ser superficial, tampouco é garantia de uma vida sossegada. A grande questão aqui, está relacionada aos extremos. Nos encaminhamos, cada vez mais, para os frios pólos de comportamento, esquecendo que o caminho do meio é sempre mais morno, agitado e diverso.

Com isso, vemos intelectuais achando a massa ignorante, enquanto os bem informados pelas redes sociais juram que sabem demais e, assim, seguimos apontando o dedo para tudo e todos, cobertos de razões muito particulares, mas que quase sempre fazem muito pouco sentido, uma vez que só o seu lado da moeda é o correto.

Essa polarização cria um efeito dominó bem perverso. Se por um lado, nos tornamos radicais na forma de pensar e agir, por outro, passamos a desmerecer tudo que é diferente da nossa forma de ver o mundo. Isso pode ser o combustível que não apenas inflama, mas traz à tona sentimentos e emoções que passamos a vida inteira tentando negar e que, não por acaso, nos surpreendemos ao constatar que, apesar de não admitir, também somos afetados por eles. Com isso, damos forma e força a pensamentos e práticas que excluem e isolam, desprezando algo que temos de precioso, a nossa capacidade de amar.

Levantar bandeiras e defender causas em que acreditamos faz parte do nosso papel na sociedade, porém, usar esses direitos para suprimir opiniões e ideias alheias, como se fossem menos importantes, além de leviano, é tolo.

Nesse mundo onde as conexões não conhecem mais limites, é praticamente impossível ouvir, ler e apreender todas a informações que nos bombardeiam segundo a segundo. O que nos força a fazer pequenos recortes da realidade que, infelizmente, estabelecemos como verdade absoluta. Dessa maneira, ficamos em meio a um fogo cruzado onde todos falam, falam mas, no fim, tem muito pouco a dizer.

O que não significa, com isso, que tenhamos que elaborar teses sobre qualquer assunto, afinal, a vida não nos permite acesso irrestrito a tudo, mas podemos começar pelo básico. Saber ouvir e querer ouvir. E, só então, decidir qual rumo seguir. É um exercício difícil, mas urgente em tempos de imediatismo dominante.

Voltando ao ponto de partida, como é possível perceber e respeitar as diferenças se, sequer damos chance para conhecer o que está fora da nossa, muitas vezes limitada, zona de conforto? Simples. Basta estar disponível. Gostar de tudo não é uma meta a ser batida. Fazemos escolhas que mudam com o passar do tempo, mas se há algo que não deveria ser suscetível a mudanças, é o respeito pelas escolhas do outro.

Este talvez seja o nosso maior desafio futuro. Perceber que aquilo que nos diferencia não pode, de forma alguma, ser um problema. A ignorância, preconceito e a intolerância são alimentadas pelo desrespeito. Por isso, todas as vezes que, sem nenhum motivo ou razão, julgarmos alguém com base no nosso desconhecimento, devemos sempre ter em mente que, se hoje somos o arco e flecha, qualquer dia desses, certamente, seremos o alvo.

3 pensamentos em “Respeito é bom e eu gosto!”

  1. Respeito….um principio que não pode ter Fim.

    Além de ser o começo de tudo.
    Vamos RESPEITAR o próximo…..simpkes assim.

    Parabéns pelo texto Marcos.

  2. A natureza por si só já nos mostra que diversidade é positivo!
    Uma vez vi o Chico Buarque dizer que nós, brasileiros, tratamos negativamente a nossa maior riqueza, que é a diversidade. E é verdade!
    Num mundo com tanta informação e conhecimento, ainda nos comportamos como selvagens com medo do diferente.

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