Perdemos demais

Vivemos em tempos onde acompanhar o noticiário, pode provocar reações diversas que vão da desesperança ao horror em poucos minutos. E, independente do tema, uma sensação me faz chegar a triste conclusão de que perdemos demais. A batalha, o jogo, a aposta, a graça… perdemos. Mas, acima de tudo, parece que nos foi tirada a capacidade de reação em um momento em que nunca precisamos tanto dela. Ficamos surpresos, indignados, estupefatos, mas, apesar disso, não somos capazes de reagir aos desmandos e retirada de direitos que nos são impostos diariamente.

Muitos dizem que não se pode fazer nada, que são muitos eventos simultâneos e que não dá pra reagir a tudo… Até pode ser, mas não é suficiente. Confundimos o real com o virtual e acreditamos que posts via facebook, instagram, twitter, nos redimem de uma omissão consentida. Outros tantos, acreditam que não sofrem calados, pois tem ferramentas digitais capazes de amplificar suas vozes, porém, se esquecem de que não adianta falar, se não houver ninguém para ouvir.

O peso do rolo compressor é tamanho que começamos a ver a vida de uma forma perigosíssima, onde, a defesa de pontos de vista, rompe o campo das ideias e entra em um ringue onde argumentos cedem lugar a lei do mais forte, onde tudo tem que ser olho por olho, dente por dente. De uma hora para outra, o que antes era certo, agora é errado. O que antes era importante, agora perde o seu valor. Seguimos perdendo…

A demonização da educação e seus educadores. Artistas, que, com a sua arte, nos fazem pensar e ver o mundo mais leve, agora, não passam de vagabundos. E a ciência, bom, a ciência é algo desimportante. Tristes tempos são esses onde rechaçamos o que nos ajudou a evoluir até aqui. Vivemos no limite do absurdo pessoal e profissionalmente. Buscamos forças para nos mantermos firmes na batalha contra uma ignorância cega, que se apresenta forte como nunca.

Desrespeito virou palavra de ordem. Velhos, crianças, professores, vizinhos, colegas de trabalho… Transformados em inimigos de última hora, por forças que têm, como único objetivo, desagregar e confundir. Pensar diferente, pensar coletivamente, pensar no bem do próximo, passou a ser considerado “coisa de vagabundo”. E, muitos, acreditam que o remédio para isso é manter esses vagabundos calados, por bem ou por mal. É derrota que não acaba…

Seguimos uma cartilha que diz que, se o povo souber ler um pouco e efetuar relações matemáticas simples, melhor. Se o povo não gostar de política, mais fácil será aceitar desmandos. Se o povo ignorar a Filosofia, a Sociologia e a História, jamais conseguirão questionar e analisar dados históricos que nos impedem de cometer os mesmos erros. Um povo incapaz de reagir intelectualmente ao autoritarismo, jamais será capaz de entender a sua perda de direitos. Um povo ignorante, doente, passivo e ameaçado, não é capaz de enxergar sua derrota programada. E, por esta razão, só consegue se preocupar com uma única e triste realidade: sobreviver.

2 comentários em “Perdemos demais”

  1. Muito louco, né, tio Prof? Como que a gente caminhou pra essa direção assim? Parece que as pessoas estão sendo hackeadas.
    Isso é um fenômeno mundial. E assusta muito!

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