Olhares ácidos

Outro dia ouvi uma mãe se queixando, pois havia percebido que seu filho, ao chegar em um encontro familiar, tornou-se, de forma negativa, o centro das atenções. Isso a incomodou. Pode ter sido apenas uma impressão ruim daquela mãe… ou não. Mas isso me fez pensar em quantas vezes já fomos alvo dos olhares ácidos de tantas pessoas? Difícil dizer mas, sinceramente, quem se importa?

Muitos se importam, infelizmente. Ainda somos afetados pela simples ideia de que seremos, em algum momento, observados com um tom de reprovação. O que, para muitos, é um grande problema, uma vez que ao sermos notados, nos transformamos em uma vitrine, observada sob óticas muito particulares e sobre as quais não temos o menor controle.

Mas, por que o olhar do outro sobre quem somos de fato ou sobre aquilo que mostramos para o mundo, nos desafia tanto? Essa pergunta terá muitas respostas que irão variar de acordo com o momento em que vivemos. O que significa que, dependendo da circunstância e, obviamente, da nossa maturidade, gastaremos mais ou menos energia para lidar com isso. E será uma escolha dar crédito ou não, aos que nos olham, comentam e julgam sem qualquer critério.

Esse caminho é longo e árduo pois, desde sempre, ouvimos críticas que se baseiam apenas na opinião alheia. Quem nunca ouviu a pergunta maledicente: O que os outros vão pensar de você? Isso, de fato, não deveria ser um problema, afinal, estamos no mundo para sentir e provocar reações naqueles que cruzam o nosso caminho.

A grande questão é o impacto que essa pergunta cinicamente cuidadosa, pode causar em quem a escuta. Alguns utilizam esse juri ilegítimo para marcar posições e ditar o seu próprio comportamento, independente do alcance e da quantidade de olhares punitivos. Enquanto para outros, basta apenas um olhar de censura para que sonhos, desejos e projetos desmoronem como um castelo de cartas.

Com o passar do tempo, adquirimos uma casca que nos torna mais resistentes a maledicência do outro. De formas diferentes, é claro, uma vez que somos diversos em nossa capacidade de tolerar e acatar vereditos de observadores que, sabem pouco ou quase nada, sobre quem somos ou sobre o que queremos.

Isso não é sinônimo de indiferença a opinião alheia, mas é preciso estar atento e separar o que é importante, daquilo que não faz a menor diferença. Cedemos, mais vezes do que gostaríamos, a pressão incômoda de um olhar pleno de críticas vazias. O que é irritante, mas não deve ser levado tão a sério.

Não há fórmula mágica que nos torne imunes a isso. Sentiremos na pele a dor, a irritação e a frustração de julgamentos efêmeros que duram frações de segundos. Sim, recortes de tempo tão insignificantes, que não devem ser superestimados ou valorizados além da sua pouca importância.

É claro que não iremos, a partir de agora, ignorar os olhares ácidos que pousarão sobre nós, até porque , em muitos momentos, eles partem dos nossos próprios olhos. E, por esta razão, sabemos que um olhar pode vir acompanhado de um julgamento, mas isso jamais será capaz de sentenciar ou interferir  na forma como o outro deve pensar ou agir.

Ser quem se é, fatalmente atrairá a atenção alheia, para o bem ou para o mal.  Cabe a nós escolher, dentre tantos, quais são os olhares que realmente importam.

Um pensamento em “Olhares ácidos”

  1. Faz parte do nosso crescimento pessoal lidar com o fato de que nunca iremos agradar a todos. O mais importante é sermos honestos com nós mesmos. É mais fácil falar do que fazer. Mas acho que é daí que devemos partir. 🙂

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