O surpreendente mora nos detalhes

Pare um pouco e olhe à sua volta. Como você definiria este exato momento da sua vida? Difícil responder a esse desafio, não é? De fato não há uma resposta padrão para isso, mas uma característica é comum para a maioria das pessoas. Todos pensam sobre aquilo que não têm: amores, dinheiro, emprego, amizades… Tudo nos falta. Porém, mesmo quando o acaso sorri para nós e somos agraciados com tudo isso, continuamos preenchidos por ausências que não sabemos classificar.

É confortável pensar que a nossa eterna insatisfação, seja a única responsável por nos fazer seguir em frente querendo, cada vez mais, algo que sequer sabemos ao certo o que é. Mas, talvez seja a nossa voracidade por quantidade, o combustível que alimenta o nosso desenfreado querer. Sem julgamentos sobre isso, afinal, o querer faz parte de nossa essência. Porém, frequentemente, nos perdemos entre vontades e deixamos de festejar os desejos e sonhos que já foram realizados. O que é um grande e recorrente equívoco.

Ouvimos o tempo todo que é preciso ser grato mas, ainda assim, deixamos a gratidão de lado no instante em que saciamos a nossa fome de querer. Isso nos faz perder em todos os aspectos. Detalhes relevantes ficam de fora do nosso restrito campo de visão o que, quase sempre, nos impede de valorizar conquistas, independente do seu grau de importância.

Passamos uma vida inteira estabelecendo conexões com objetos e pessoas. A grande questão é que não percebemos que todas essas relações, são alicerces fundamentais na construção de quem somos no presente e, principalmente, de quem seremos no futuro.

O surpreendente mora nos detalhes e, aceitar a sua importância, nos transporta de um lugar comum onde somos pessoas que querem ter, para o posto especial onde estão aqueles que escolheram, acima de tudo, ser.

O maior significado disso, está na forma como olhamos o universo à nossa volta e de que maneira ele retribui esse olhar. Entender que cada detalhe vivido é importante, não determina que teremos que lembrar de todos eles. Mas é fundamental aceitar que, quanto maior for a nossa sensibilidade para reconhecer o que de fato é importante, estaremos mais disponíveis para as experiências que viveremos adiante.

A vida nos apresenta a infinitos caminhos e nunca sabemos ao certo, por onde devemos seguir. Mesmo assim, seguimos. Mas, dentre todas as escolhas que podemos fazer, existe uma que fará toda a diferença: a forma como enxergamos a vida. A leveza no olhar permite ver além, permite enxergar verdades sutis. O que nos obriga a dar valor a cada degrau que subimos, a cada amigo que fizemos e a todas as conquistas que tivemos.

Observar a vida através de lentes desfocadas, nos impede de ver à distância e, assim, acreditamos que só aquilo que está por perto é importante. Esta miopia nos leva a enxergar, apenas os pontos de uma grande pintura quando, na verdade, só uma visão panorâmica é capaz de iluminar detalhes escondidos, que demonstram o quão precioso pode ser o olhar sobre tudo aquilo que nos cerca.

Talvez agora, se nos perguntassem como definiríamos as nossas vidas neste exato momento, fosse possível dizer que continuaremos a querer aquilo que não temos. Porém, agora, é possível ir um pouco além. Como? Compreendendo que as coisas e pessoas que já conquistamos não podem ser vistas como medalhas sem importância e, sim, como tesouros inestimáveis que devem ser preservados, admirados e compartilhados. Isso nos permitirá entender que, ter a consciência de que somos formados por detalhes, é o que nos torna genuinamente especiais.

5 pensamentos em “O surpreendente mora nos detalhes”

    1. Caramba!!!!
      Exatamente sobre isso que pensava hj…
      Um soco na boca do meu estômago.
      👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏
      Sábias palavras.

  1. Eu já tinha um estilo de vida meio mindful antes, mas passei uma época bem complicada comigo mesma. Não aceitava tantas coisas da minha realidade. E eu não queria aceitar. Até que um amigo meu, Jardel, me deu de presente um treinamento de programação neurolinguística. E isso fez tanto sentido pra mim! Até hoje eu uso técnicas que aprendi no treinamento. E isso me faz uma pessoa mais mindful. Não sei por que comecei a falar disso. 🙂

  2. A forma como enxergamos as coisas e o valor que damos a elas…. É isso aí, às vezes nosso olhar é tão abrangente: queremos ver tudo, inclusive o futuro e acabamos por não enxergar nada. Nem o óbvio, nem o absurdo. Nem o que nos é precioso nem o que nos faz mal…. Muito bom texto.

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