O peso das nossas escolhas

O que eu faço agora? Essa pergunta é feita todas as vezes em que o chão desaparece sob nossos pés e ficamos à deriva, sem referências e sem a menor ideia do que fazer. Não paramos para pensar sobre isso, a não ser que sejamos vítimas dessa súbita falta de base que, ao contrário do que parece, não nos deixa sem opções. Sofremos exatamente por não saber escolher diante de tantas possibilidades que se abrem a nossa frente mas, principalmente, sofremos por não saber qual será o peso das nossas escolhas.

Esse questionamento, que precede uma escolha rápida e sem ensaios, cria um desconforto em vários sentidos. Ora por demonstrar nossas fragilidades, ora por expressar ansiedade ou, simplesmente, porque nos faz constatar que não estamos preparados para tudo. Mas isto está longe de ser algo ruim. Ser pego de surpresa, exige uma capacidade de reação veloz e, normalmente, sem segundas chances. Erros nas escolhas são bem mais comuns que acertos, mas, como quase tudo na vida, tomar decisões mais assertivas, também depende de experiência e aprendizado.

Há momentos onde o mundo passa por cima de nós como um rolo compressor, exigindo respostas para perguntas que sequer entendemos, sem oferecer tempo para reflexões ou buscas por novos caminhos. Diante desse beco sem saída, só nos resta procurar soluções onde elas são mais difíceis de encontrar: dentro nós. Neste cenário, somos obrigados a voltar o olhar para nosso interior, nem que seja por uma fração de segundo,  e tentar achar forças em lugares que jamais acessamos. Dessa forma, adentramos em áreas nebulosas e desconhecidas, perdidas em nossas gavetas internas.

Pensando dessa maneira, não saber como agir em determinadas situações, tem o seu lado bom. Fincar raízes muito profundas pode restringir nossos reflexos e comprometer a nossa capacidade de reagir as surpresas que a vida nos oferece. Perguntar-se o que fazer, quase nunca traz as respostas certas e, muito menos, aquelas que esperamos. Por uma simples razão: Não há certezas, erros ou acertos. Existem apenas possibilidades que serão criadas de acordo com as nossas decisões.

Ser confrontado por situações desconcertantes, reduz a nossa possibilidade de escolha, permitindo que fiquemos entre o não, que nos deixa estagnados no mesmo porto seguro, ou o sim, que pede uma dose extra de coragem para navegar por mares desconhecidos. Mas, independente da escolha, algumas perguntas são impacientes e pedem respostas instantâneas. É esta fração de segundo que nos faz seguir em frente e, pouco importa, se vamos dizer sim ou não, o importante no momento de decisão, é a forma como teremos que lidar com as nossas certezas, inseguranças, verdades, mentiras…

O imprevisível caminha ao lado desses momentos. Nunca saberemos ao certo quando ou porque será necessário pular mais alto e decidir algo de primeira. Muito menos saber o quão difícil será tomar decisões que não estavam em nossos planos e que podem, com frequência, afetar as pessoas ao nosso redor, de formas que não podemos prever. É sempre bom não perder de vista que as nossas decisões, por mais simples que sejam, jamais serão individuais.

É claro que a vida nos coloca em situações onde há muito pouco ou nada a ser feito mas, ainda assim, é possível decidir se nos conformamos ou não com essa situação. Vivemos as decisões que tomamos, sejam elas repentinas ou não. Porém, sempre que exercitamos a nossa capacidade de escolha, conhecemos um pouco mais de nós e reconhecemos limites. Por vezes colocamos esses limites à prova, o que nos ajuda a compreender que existem linhas que não devem ser ultrapassadas.

Decisões são desafiadoras e nos testam de formas que nem imaginaríamos possíveis. O ato de escolher impõe mudanças, quer você queira ou não.  É difícil dizer se escolhemos os caminhos corretos, mas podemos afirmar que somos a síntese das escolhas que fizemos. O que faremos daqui em diante? Escolhas. Qual a melhor maneira de fazê-las? Aprendendo com elas…

5 pensamentos em “O peso das nossas escolhas”

  1. Acho que esse texto tem bastante a ver com responsabilizar-se pelos próprios atos. Tendo a consciência de que ao fazer uma escolha somos exclusivamente responsáveis por todas as subsequentes consequências nos dá condições de fazer cada vez mais melhores escolhas.

  2. Toda escolha implica em renuncias e consequências.
    No momento de uma decisão, ajuda ponderar se é uma “decisão” racional ou emocional. As racionais minimizam consequências negativas.
    Importante tb avaliar o impacto da vida de terceiros.

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