O maior amor do mundo

Sim, o texto deste domingo será sobre e para elas. Seria muito lugar comum abordar esse tema no dia de hoje? Claro que sim, mas não existe lugar melhor nesse mundo para ficar e se aconchegar devagar, sem pressa para chegar e sem urgência para sair.

Elas simplesmente são. São únicas e ao mesmo tempo coletivas. Falar sobre elas é exaltar as coincidências e os pontos em comum a todas. As frases feitas carregadas de drama e teatralidade que ora servem para nos contrariar, ora para nos afagar profundamente, sempre nos indicarão caminhos seguros para seguir, apesar da inevitável carga dramática.

Longe de mim tentar romantizar o trabalho árduo que as torna tão essenciais. Certamente nenhuma delas faz ideia de como nos criar, transferir valores importantes, afastar do sofrimento e das inevitáveis pancadas da vida. Elas vão lá e fazem. E não é acertando que aprendem, é errando… e muito. Porém, como todas possuem um olhar muito especial que sempre enxerga além, os erros tornam-se menores. Sua visão vê nuances e definições que passam despercebidas pela grande maioria, então, se for preciso errar para que no fim suas crias estejam a salvo, tudo bem.

Podem ser jovens ou nem tanto. Podem ser bravas ou pelo menos tentam nos fazer acreditar que são. Podem parecer indiferentes e distantes e também podem nos sufocar de atenção. Não importa se vivem em grandes cidades ou em vilarejos, todas são donas de uma obviedade tão surpreendente que, muitas vezes, não nos permite prever o seu próximo passo. Mas, independente do exemplo que você tem em casa, todas têm como ponto de convergência, a capacidade de sentir o maior amor do mundo.

É difícil compreender isso. Esses seres são tão diversos e tão particulares que chegam a apresentar características super-humanas. Ao mesmo tempo que querem nos esganar por que não seguimos suas ordens em detalhes, são capazes de, no instante seguinte, olhar para nós com ternura e perguntar se estamos felizes ou não. São responsáveis por ameaças quase fatais que vão desde esfregar nossas faces em objetos que teimam em se esconder, até alardear o seu desaparecimento repentino, uma vez que ninguém percebe o seu real valor. Caprichos deliciosos que só nos deixam mais apaixonados por elas.

A natureza nos mostra como as fêmeas são capazes de desafios impossíveis para proteger suas crias. Conosco não é diferente. Lembro de quando era criança e, vez ou outra, sofria com febres frequentes e alucinantes que impediam um sono tranquilo por muitas noites. Lembrança um tanto gasta pelo passar do tempo, mas que serve para trazer de volta a memória de quando eu abria os olhos e percebia, sem muita nitidez, que alguém me segurava nos braços por horas seguidas, velando meu sono e minha saúde, me abrigando e me curando com seu amor sem limites. Ela estava lá.

É impressionante constatar a sua capacidade de armazenar amor. Imagino que todas as vezes que o estoque de amor está perto do limite, elas simplesmente estabelecem novos parâmetros para o amar, criando infinitas possibilidades e combinações. Muitas dividem seus genes como os filhos, outras agregam filhos sem semelhanças físicas óbvias, mas todas, sem exceção, compartilham seu imenso amor sem se importar com a genética. Elas amam e ponto. Seu amor não segrega, agrega.

Por que existe um dia só para elas? Para comprar presentes aleatórios e sem muita utilidade? Possivelmente. Mas, já que essa data existe, vamos tirar proveito dela. Usar esse momento para lembrar, estar e, acima de tudo, dizer a elas que não se preocupem e não se culpem. Sabemos que a jornada não foi fácil e que as vimos errar e acertar incontáveis vezes, mas tudo bem, sobrevivemos juntos. Dê beijos e abraços apertados se puder, senão, apenas olhe para ela da forma mais sincera que conseguir. Isso já será o suficiente para dizer o quanto ela foi e sempre será fundamental. Olhe para ela mais uma vez e diga, mesmo que sem palavras: eu te amo, mãe.

4 pensamentos em “O maior amor do mundo”

  1. Que texto LIN-DO!!!!!
    Que saudade da minha mãezinha! Estamos longe mas sempre nos falamos. E a distância nos ajuda a dizer “eu te amo” com mais frequência!

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