Novas conquistas

Novidades acontecem o tempo todo para nos mostrar que, independente de nossas convicções, a vida se renova e segue seu fluxo contínuo e irrefreável. Do momento em que nascemos até os dias de hoje, concentramos forças para tentar compreender esse mecanismo complexo que nos diz que é preciso reinventar-se sempre e que, ao mesmo tempo, não devemos esquecer a essência que nos faz ser quem somos. Parece contraditório, e é. Mas, ao mesmo tempo, explica parte da inquietude que nos impulsiona em busca de novos saberes e novas conquistas.

Nascemos, crescemos, amizades são feitas e desfeitas. Criamos novas conexões que movimentam novos costumes e diferentes formas de pensar e interagir. Isso faz com que o mundo se movimente em direções diversas e, muitas vezes, contrárias as nossas visões tão engessadas e cheias de certezas. Visto dessa forma, parece fácil perceber a chegada das mudanças. Mas estamos longe disso. A novidade nem sempre é visível a olho nú e pode passar absolutamente despercebida, até para os mais atentos.

O que devemos fazer para não perder nenhum capítulo dessa história que muda em tempo real? É ingênuo imaginar que podemos dar conta de cada fato novo, mas não podemos abrir mão de algumas coisas. Disponibilidade para quem nos cerca, atenção com o que é essencial e flexibilidade para não enrijecer além do necessário. Receitas simples, mas que podem suavizar, em vários aspectos, a pesada rotina que aprisiona sonhos e encurta horizontes. Para acompanhar as mudanças é preciso tornar-se parte do processo e, não apenas, contentar-se em ser um mero observador, pronto para se queixar de tudo aquilo que fugir as suas expectativas vazias.

Mudar é difícil? Quanto a isso não há dúvidas, mas nada é mais desafiador que perceber-se inerte diante da mudança. Como se estivéssemos imóveis em meio a um vendaval que movimenta todas as peças ao nosso redor mas que, por alguma razão, nos mantém presos ao mesmo lugar, impossibilitados de usufruir dos novos ventos. Essa imobilidade é, por vezes, uma opção para qual não cabe julgamentos. O caminho que nos leva a liberdade de escolhas, também pode nos envolver com pesadas correntes que trazem a ilusão de que, quanto mais pesada for a caminhada, mais forte será a nossa postura diante das novidades do mundo. Nada além de um grande engano…

Ser parte de algo novo, não pode ser apenas um sonho para observar de longe. Tornar-se um agente transformador da própria realidade, traz uma infinidade de novas possibilidades aos que escolheram ou foram levados a acreditar que, mudanças, só ocorrem de fora para dentro. Isso é, além de perverso, a perpetuação de um comportamento que aprendemos desde muito cedo e que diz que devemos nos contentar com situações onde, a normalidade aparente, é responsável por felicidades burocráticas.

Ceder ao novo provoca, quase sempre, reações distintas, em intensidades diferentes e com tempo de duração indeterminado. Alguns aceitam boas novas tranquilamente, enquanto outros, passam anos avaliando se vale a pena mudar uma peça de lugar. Perdemos mais tempo que o necessário, avaliando se o agora é melhor que o depois ou se o antes é mais confiável do que aquilo que está por vir…

O tempo nos ajuda a entender que, contemplar o novo possibilita, não apenas o aprendizado, mas também, baixa nossa guarda diante das muitas barreiras que enfrentaremos diariamente. Mas isso não é suficiente. É necessário aceitar que a novidade, quando nos alcança, propõe desafios que vão além da superficialidade. Aceitar o novo só é possível quando mudanças internas ocorrem e nos permitem acreditar que, novos desafios só serão possíveis quando, finalmente, dermos voz aos anseios de novidade que mantivemos, por muito tempo, escondidos no silêncio.

3 pensamentos em “Novas conquistas”

  1. E quantas novidades ou oportunidades de mudança passam despercebidas porque não estamos com o radar apurado? Por isso não adianta a mudança acontecer do lado de fora. Se do lado de dentro, não estivermos abertos pra ela, podemos nem percebê-lá.
    Eu acho super intrigante pensar nisso com profundidade 🙂

  2. Concordo, Luiza. Mas vou além. Já me vi sendo levada a mudanças que sequer faziam parte da minha lista de anseios. Está aí minha letra “maravilhosa” como um consequência idiota de uma dessas imposições. E pior, já tentei mudar pessoas com a mesma melhor das intenções. Achando que esse melhoramento seria a salvação em vidas alheias. Em análise mais profunda me vi extremamente egocêntrica querendo articular coisas a meu favor. Aprendi por ambas as vias, oprimida e opressora, que não existe mudança real se não brotar como uma muda no deserto: improvável mas cheia de força pra vencer todas as adversidades e impressionar ainda mais quando florir e frutificar.
    Mudanças internas precisam acontecer antes das externas sim, e isso me fez lembrar do mecanismo de gentileza que descrevi alguns textos atrás. Mas respeitar todo esse processo, o tempo que cada um precisa para colocar em prática, e a própria manifestação da vontade de mudar… Tudo isso é importantíssimo. Apesar da melhor das intenções, precisamos dar uns cinco passos pra trás, deixar o outro se perceber e realizar suas próprias mudanças que julgue serem pertinentes a cada momento de sua vida. Enquanto isso, vamos nós cuidar de projetar e executar as nossas e isso já dá um trabalho gigantesco.
    Claro que nada vem de graça e um rio de lágrimas separa a Tati idiota da Tati menos idiota de hoje. Mas se tem algo que já está tá bem aprendido é que ninguém muda ninguém. Eventuais auxílios, ok… Quando são solicitados, ok… Do mais, paz e luz.

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