Não sou obrigado a nada

Não sou obrigado a nada! Perdi as contas de quantas vezes disse ou ouvi essa, que não é, uma simples frase. Por trás dessa exclamação há um enorme desejo de libertação.

Dizer isso, na grande maioria das vezes, não muda em nada as nossas rotinas. Continuamos a seguir uma série de obrigações, algumas compulsórias, outras nem tanto, mas quando a pressão aumenta demais, negamos imediatamente as nossas regras, buscando por um certo alívio para a pesada rotina do dia a dia.

Quando jovens, repetimos à exaustão que só faremos algo quando e como quisermos… Doce ilusão juvenil. De qualquer forma, é nessa etapa que encaramos um sem número de obrigações que vão desde a arrumação do quarto, passando por tarefas escolares, até chegarmos ao mercado de trabalho onde, fora da tutela familiar, seremos massacrados por muitos mandos e alguns desmandos de toda parte.

Cada um de nós vai aprender, do seu jeito, a lidar com essa realidade. Alguns sofrem mais, outros menos, mas, sem dúvidas, esse é um processo para lá de pedagógico e que nos permite enxergar com mais clareza que, independente da nossa vontade, as obrigações serão nossas parceiras frequentes e habituais até o nosso fim.

E isso é ruim? Não acho. Temos por hábito, relacionar nossas obrigações a algo negativo, sem graça ou emoção. O que não é verdade. Quem nunca, ao tentar demonstrar que fez algo incrível, esperava receber um elogio mas, ao invés disso, ouviu: você não fez mais do que a sua obrigação! Nesse exato instante, somos levados a crer que tudo aquilo que fomos obrigados a fazer, jamais será reconhecido ou premiado. Talvez seja por isso que dificilmente associamos o prazer da conquista as nossas atitudes rotineiras. O que é um grande equívoco.

É comum ouvir algumas pessoas reclamando sobre suas obrigações diárias, estejam elas relacionadas a casa ou ao trabalho. Entretanto, muitos outros celebram o trabalho que executam e, quase sempre, afirmam sentir muito prazer ao desempenhar suas funções. Mas o que há de diferente nos dois casos? Ambos seguem cartilhas semelhantes que incluem acordar cedo, trabalhar duro e tocar as coisas boas e ruins que a vida os oferece. Então, o que os diferencia?

Me permito um palpite. Quanto mais cedo aprendemos que é possível, sim, ter êxito ao desempenhar ações comuns, sem maiores emoções, torna-se mais fácil compreender que o prazer da realização também está presente nas obrigações que repetimos por anos e anos.

Por outro lado, quando gritamos aos quatro ventos que não somos obrigados a nada, mesmo que não seja uma verdade absoluta, estabelecemos limites importantes para nós e para quem nos cerca. O que significa dizer que barreiras como o respeito, consideração e amor próprio, estarão sempre prontas para impedir que sejamos forçados a fazer o que não queremos. E isso é maravilhoso.

No fim das contas, sempre teremos inúmeras obrigações e, à medida que as compreendemos como parte de nós, seu peso se torna bem mais leve e a caminhada, mais suave. Dessa forma, sempre que alguém disser que não fazemos nada além de nossas obrigações, tudo bem, afinal, se há uma coisa da qual não somos obrigados, é acreditar que somos limitados.

8 pensamentos em “Não sou obrigado a nada”

  1. Caramba, tio Prof, tá virando filósofo! Nunca parei pra pensar nessa frase e vc fez uma análise profunda sobre ela! Parabéns pelo texto mais uma vez! Xx

  2. Todos nós sabemos que somos limitados e, às vezes mecânicos no que tange ao nosso cotidiano.
    Mas Marco, quando eu digo que não sou obrigado a nada, isso me dá uma sensação de liberdade, ilimitação, mesmo que seja apenas no tempo que a minha fala demora. Mas que de certa forma, isso me faz bem e eu passo até a produzir um pouco melhor, porque eu passo a imaginar que estou fazendo a minha “obrigação” por livre e espontânea caridade (mesmo que seja pra mim mesmo – como lavar uma louça ou roupa) e que no fim das contas, eu realmente não sou obrigado a nada!
    É como se eu estivesse dominando a minha mente para não fazer algo com “má vontade” ou sem tesão.

    1. Exatamente! Dizer que não é obrigado a nada traz uma força sensacional! Mesmo que seja apenas o tempo da nossa fala… Rs

  3. Acredito que realmente não somos obrigados a nada. Nós fazemos escolhas porque nos interessa. Ninguém vai p o trabalho com uma arma na cabeça, por exemplo.
    Saber que faço tudo porque tenho ganhos e porque escolhi fazer é libertador.

    Obs. Isso sem falar na liberdade do pensamento…

  4. Acredito que realmente não somos obrigados a nada. Nós fazemos escolhas porque nos interessam. Ninguém vai p o trabalho com uma arma na cabeça, por exemplo.
    Saber que faço tudo porque tenho ganhos e porque escolhi fazer é libertador.

    Obs. Isso sem falar na liberdade do pensamento…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *