Forças da natureza

       É impressionante como algumas palavras bem curtas, apresentam significados que difíceis de explicar. Já perceberam que algumas das pessoas mais importantes de nossas vidas são denominadas por, no máximo, três letras? Tia, tio, avó, avô, mãe e pai. Criaturas que têm seus nomes substituídos por toda uma vida, e se enchem de orgulho disso. Quando nascemos somos imediatamente apresentamos a indivíduos sem nomes próprios, mas que pouco se importam com isso. Pessoas que deixaram de ser indivíduos para tornarem-se forças da natureza. E uma dessas forças é celebrada hoje.

          Pai. Quantas definições cabem aí? Sei lá. Criar significados serve para muitas coisas, mas não para forças da natureza. Essas simplesmente se criam, se mantém e se sustentam por si só. Se fecharmos os olhos, encontraremos na memória alguma figura que antes parecia um gigante, de fala grossa e com mãos pesadamente protetoras e carinhosas. Figura essa que extrapola vínculos genéticos, basta que esteja repleta de uma capacidade inesgotável de amar.

            Pais são, injustamente, lembrados como rochas inabaláveis que estão ali para sustentar os seus de todas as formas possíveis. O que acaba por criar uma ideia de que devemos oscilar entre amor, respeito, medo e admiração por estes que têm, obrigatoriamente, a função de pilares de suas famílias. Porém, o tempo passa e leva consigo esse estereótipo repleto de força bruta e vazio de sensibilidade. Pais podem, e devem, ser muito mais que isso. Sensibilidade, cuidado e afeto são traços humanos que não podem ser aprisionados em gêneros. Afinal, amor sem demonstração, não passa de intenção vazia.

            Pai. Palavra cunhada sobre a figura masculina e que, por muito tempo, relegou os homens ao papel de provedor isento de sentimentos por sua prole. O curioso nisso tudo é que, apesar de muitos tentarem masculinizar, de forma tóxica, a figura paterna, o ser pai nos conduz a um substantivo feminino, acolhedor e forte, porém cheio de ternura: a paternidade. Tão desejada por uns, tolerada por outros e, infelizmente, rechaçada por muitos. Negar o acolhimento que a paternidade oferece ao homem, é, sim, provocar abortos cinicamente aceitáveis.

           Ser pai não é doar genes. Ser pai é estar lá por seus filhos não importa quem sejam, o que tenham feito ou de onde tenham vindo. Ser pai nasce do desejo de perpetuar-se incondicionalmente. Ser pai é assustar para, em seguida, derramar-se de amor. Ser pai é aprendizado, entrega e insegurança. É brigar e se emocionar, dizer bobagens e cair na gargalhada. Ser pai é pavimentar caminhos limpos, porém repletos de pegadas largas, firmes e profundas, capazes de nos guiar, fortalecer e amparar sempre… e para sempre.

Feliz dia para todos aqueles que decidiram ser pais.

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