A dedicação é o que nos salva…

Sempre que pensamos em sucesso, felicidade ou amor, tentamos visualizar como estaremos tempos depois do início de uma nova etapa de vida. Mas o que deve-se fazer para conquistar o que se quer? Dedicação é, certamente, aquilo que nos salva. Será?

Não se enganem, pois este não será um daqueles textos que dizem que devemos ser absolutamente dedicados, não importa a hora ou o local. Não há dúvidas sobre a importância de estar comprometido e inteiro quando queremos algo, de fato. Mas há um erro de avaliação neste senso comum que nos leva a, quase sempre, insistir em projetos mal concebidos, sonhos sem planejamento ou amores imaginários. Acreditamos cegamente que, se as coisas não deram certo como era esperado, foi porque nos faltou dedicação e paciência.

Concordo que, em muitas vezes, é preciso perseverar para chegar onde se quer, porém, em alguns momentos, manter uma posição inalterada sobre algo que só  traz retornos negativos, não é uma prova de dedicação inabalável, mas sim, de uma teimosia envergonhada que nos impede de abrir mão de escolhas equivocadas.

Por conta disso, muitos investem tempo demais naquilo que, no fim das contas, tem importância de menos. Parece fácil falar sobre algo que só descobre-se vivendo, mas, se deixássemos de lado a boa e velha culpa que nos acompanha de perto e que aparece todas as vezes em que duvidamos de nossa capacidade de continuar seguindo em frente, talvez fosse mais fácil perceber a diferença entre dedicação de verdade e aquela burrice ocasional, capaz de nos cegar muito além do que gostaríamos.

Mas, até onde devemos ir para que seja possível convencer os outros e a nós mesmos, de que estamos dedicados e dispostos a a continuar no caminho que traçamos previamente? O limite para isso é impossível de precisar, mas é possível dizer que o caminho será longo, uma vez que a ideia de desistir do que quer que seja nos afeta profundamente, como se, mudar as regras do jogo, nos transformasse em fracassados confessos.

Reside, nesta questão, uma perversidade cínica que diz que só a dedicação nos fará alcançar metas e que, ao mesmo tempo, devemos suportar todas as dificuldades em nome daquilo que escolhemos… Isso talvez faça sentido naqueles momentos onde as escolhas e chances são escassas. Porém, à medida em que somos apresentados a novas possibilidades, mudar de rumos não significa falta de dedicação e, sim, uma simples e necessária mudança de ponto de vista.

Essa rigidez na forma de pensar e agir, escancara uma dificuldade coletiva que demonstra como, permitir-se mudar, é bastante complexo. Não nos tornaremos criaturas mais indolentes só porque nos permitimos mudar de opinião. Ao contrário. A mudança é essencial para que seja possível dedicar-se as experiências que valem a pena viver.

Somos apresentados a diversas situações, igualmente interessantes, diariamente.  E, neste leque de opções, podemos escolher a qual delas iremos nos dedicar e por quanto tempo, mesmo sabendo, de antemão que, em nenhum momento, teremos a certeza se estamos dedicando energia suficiente para algo ou alguém. Até porque esta percepção sempre terá dois, ou mais, lados distintos que, nem sempre são compatíveis.

Mas, independente disso, é essencial estar em paz com as próprias escolhas e com a forma como nos dedicamos a elas. Dedicação deve ser o reflexo da nossa vontade de transformar sonhos em realidade, sem perder de vista que esse processo pode até ser turbulento, mas que não pode, de forma alguma, cobrar um preço alto demais a ser pago.

2 pensamentos em “A dedicação é o que nos salva…”

  1. […] à medida em que somos apresentados a novas possibilidades, mudar de rumos não significa falta de dedicação e, sim, uma simples e necessária mudança de ponto de vista.

    Encantado com sua percepção!

    Parabéns, mais um belo texto!

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