Como será o amanhã?

Como será o amanhã? A curiosidade que mora em nós jamais desistirá de tentar descobrir esse mistério, mesmo sabendo que possíveis respostas são baseadas, apenas, em nuvens de suposições. Pouco importa se o futuro é daqui a dez anos ou dois dias. Não fazer ideia do desfecho de um projeto ou de um sonho, cria uma expectativa que é quase tão importante quanto a execução do plano em si. Talvez esta seja uma das razões que nos faça acreditar que o futuro sempre reservará boas surpresas.

Como será se…? Essa pergunta pode ser complementada de inúmeras formas que, normalmente, variam de acordo com o nosso momento de vida. O que serei quando crescer? Quantos filhos terei? Terei filhos? Com quantos anos vou morrer? Conseguirei emprego? Serei feliz?… São tantas as questões que, a simples tentativa de respondê-las, é capaz de tirar o sono até dos mais tranquilos. Mas seguimos tentando, mesmo que não tenhamos as respostas, o exercício de imaginar o que nos espera, faz a ansiedade valer a pena. Afinal, não saber como serão os dias que ainda não conhecemos, nos mantém diante de muitas possibilidades.  Coisa que a realidade, por si só,  não é capaz de fazer.

Pensando nas formas que temos para acessar futuros possíveis, me veio a ideia de que, o tempo verbal faz toda a diferença quando o assunto é o desconhecido. Pensar em como será, vem sempre acompanhado de uma certeza: algo foi iniciado e não tem mais volta, como a flecha que parte do arco. Não se sabe com exatidão qual será o alvo correto, mas temos a certeza de que ela vai alcançar seu destino final. Agora, pensar em como seria, traz  consigo um quê de dúvida e uma margem de segurança, uma vez que não é preciso arriscar, basta apenas fechar os olhos e imaginar as mil possibilidades que teríamos se, por acaso, resolvêssemos disparar nossas flechas.

De todo modo, pensar em como estaremos no futuro, seja ele próximo ou não, ajuda a criar estratégias que definem o nosso presente. Querer concretizar um desejo, ajuda a pavimentar um caminho em direção a esse objetivo. Não pensar em sonhos possíveis, faz com que portas se fechem e chances sejam perdidas. Como seria a vida sem o delicioso desafio de tentar imaginar como será a versão futura de nós mesmos? Melhor nem imaginar…

Por mais instigante que seja, a prática da futurologia é, também, uma grande fonte de ansiedade que, ao invés de nos permitir alçar voos maiores, pode transformar-se em uma âncora que limita nossa capacidade de ir além e, principalmente, restringe a nossa liberdade de atuar no próprio presente. Jamais conseguiremos alcançar nossos sonhos, desejos ou delírios, se não percebermos que nossos anseios nascem e amadurecem no presente e que, o futuro, é apenas uma consequência do que fazemos hoje.

Seríamos capazes de imaginar, há dez anos, como estaria a nossa vida hoje? Sim, mas seriam apenas pensamentos em nuvens recheadas de imaginação. Sonhos em perspectiva, sem compromisso com a realidade nua e crua. Nossa trajetória se constrói dia após dia, vencendo pequenos desafios, tomando tombos, sacudindo poeiras difíceis e erguendo a cabeça para continuar vislumbrando possibilidades que ainda estão por vir.

Jamais saberemos o que exatamente nos aguarda naquela fração do tempo que, de fato, não existe, mas que adoramos criar, desafazer, mudar de forma e recriar quantas vezes quisermos. Como será o amanhã? Não tenho a menor ideia. A única certeza nessa jornada, é que sempre estaremos prontos para saltar no nosso tempo imaginário, espiar nossas possíveis cópias e retornar a realidade, certos de que, um dia, aquele futuro poderá, sim, tornar-se realidade.

Um pensamento em “Como será o amanhã?”

  1. Os sonhos são o que nos mantêm vivos. Vi um documentário uma vez sobre sobreviventes de Auschwitz e fiquei comovida com um senhor que disse que acha que o que o salvou foram os sonhos que ele queria muito realizar. E que os colegas dele que morreram não tinham forças nem para sonhar mais. Ele tem certeza que foi a sua capacidade de sonhar, apesar de tudo, que o ajudou a sobreviver.

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