Começo, meio e…fim.

Começo. Meio. Fim. Esse é o roteiro que seguimos para quase tudo na vida. Três etapas que não possuem data de validade ou formatos definidos, mas que pautam nossa trajetória, influenciando desde as pequenas coisas do dia a dia, até as decisões que irão impactar nossa existência por anos e anos. Porém, por mais que façamos planos racionais sobre o que e de que forma viveremos, na prática, não temos a menor ideia do que encontraremos à frente.

O começo. Algumas coisas estão marcadas para acontecer desde o dia em que nascemos e é a partir desse momento, que damos a largada para a série de inúmeras relações que teremos ao longo da vida. Como em todo bom início, acreditamos piamente que os novos laços serão eternos. E serão, até que cheguem ao fim.

É difícil saber como será o meio do caminho e muito menos onde será o fim da estrada, mas o início é diferente. Ele sempre nos dá algumas pistas do que iremos encontrar. Os começos são arrebatadores, cheios de vigor, euforia e incertezas. Sensações quem anunciam novidades como: no primeiro dia de aula, o primeiro amor, a estreia no mundo das decepções, o primeiro emprego, as primeiras perdas…

Todos esses acontecimentos marcam nossas vidas e ficam gravados para sempre na memória, determinando quem seremos e como vamos agir a partir daquele instante. Começos podem ser bons ou nem tanto, mas eles sempre serão responsáveis pelo tempo de duração das nossas experiências, assim como pelo caminho que iremos percorrer até conhecermos o fim.

Meio. É neste ponto que, aquilo que iniciamos, transforma-se em histórias de verdade, ganham cores e contornos mais fortes, mudam de rumo e ficam cheias altos e baixos. O caminho do meio sempre guarda muitas surpresas. Talvez seja por isso que as pessoas costumam desejar trilhar essa estrada, mesmo sabendo que não faltarão pedras nessa caminhada.

Por mais que o meio termo seja o caminho de escolha da maioria, curvas e abismos costumam ser deliciosos e, além de nos fascinar, são responsáveis por experiências que se transformarão em ótimas estórias para contar. Ninguém quer seguir sempre o mesmo caminho o tempo todo.

Imprevistos são bem vindos, uma vez que é a partir deles que ocorrem as mudanças de rota que nos permitem, não apenas conhecer mais e melhor aquilo que já temos, mas também possibilitam novos começos e novas vivências. Porém, o caminho do meio vai muito além das novidades. É nesta etapa que aprendemos o que nos faz bem ou mal. É nesta etapa onde aprendemos a importância dos pontos finais.

Fim. Este é, talvez, o mais injustiçado dos personagens retratados nesse texto. Se o início é representado pela euforia, o fim sempre carrega a fama de ser triste e melancólico. Talvez seja, mas não completamente. À medida que vivemos nossas histórias, não imaginamos como será quando o fim chegar. Tocamos a vida e seguimos garimpando, catalogados e analisando experiências, pessoas e sentimentos e não nos preocupamos em finalizar algo que ainda tem muito a oferecer.

Dessa forma, acumulamos impressões que sinalizam quando e como, algumas situações devem chegar ao fim da linha. E isto não é, de maneira alguma, motivo de tristeza. Perceber a chegada de um final é, sobretudo, uma habilidade quase rara. Encarar o fim pode ser algo comum mas, saber o que fazer a partir disso é que são elas…

Finais provocam rupturas em zonas de conforto e isso não é fácil. Finais transmitem mensagens claras que dizem, sem cerimônias que, o que se tinha até então, não nos serve mais e que novos rumos precisam surgir. É neste ponto que os vértices se tocam e mostram que pontos finais nada mais são que pausas sem pressa mas que, quando terminam, nos conduzem, invariavelmente, a novos começos, meios e fins…

 

 

2 pensamentos em “Começo, meio e…fim.”

  1. Acho que o fim é mesmo injustiçado, porque muitas vezes é ele o responsável pelas nossas melhores lembranças.
    No mais, ainda bem que a vida é formada por um número desconhecido de começos, meios e fins! 😉

  2. Que interessante esse texto, tio Prof! Gostei muito do approach e da reflexão!
    Por acaso começou a tocar na rádio a “aquarela” de Toquinho. E tem bastante a ver com essa temática!

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