Carrossel de emoções

Vivemos bombardeados por uma quantidade tão absurda de influências, que fica difícil entender o que, de fato, acontece conosco. Ao longo de um único dia, é possível sorrir, entristecer, irritar-se, perder esperanças para, logo em seguida, encontra-las novamente. Um carrossel de emoções tão complexo e, ao mesmo tempo, tão disponível, que não nos deixa muitas escolhas, a não ser vivê-lo. Estar cercado de tantas sensações ao mesmo tempo, faz com que pequenos sentimentos passem desapercebidos. Perdemos os detalhes do cotidiano por conseguir enxergar, apenas, aquilo que salta aos olhos.

Pode não ser uma opinião unânime, mas, desenvolvemos dia após dia, uma miopia acerca das emoções que sentimos, que torna difícil reagir, em tempo real a tudo que nos afeta. Muitas vezes esquecemos de algo que ouvimos outro dia. Mas, ao acordamos no dia seguinte, lembramos da situação, que, só agora, ficou nítida o suficiente para despertar uma reação nossa. Vivemos em um eterno delay emocional.

Efeitos retardados são comuns quando se trata de emoções. Por vezes somos maltratados e, ao invés de respondermos imediatamente, seguimos em frente como se nada tivesse acontecido. Porém, cedo ou tarde, lembraremos do fato, com a indignação certa, só que na hora errada. A frequência desses lapsos é tamanha, que torna difícil saber se estamos reagindo ao agora ou se estamos um degrau abaixo na expressão das nossas reações. Isso me faz pensar se estamos, de fato, inteiros nas relações ou nos pulverizando, na tentativa de alcançar um volume maior de interações dia após dia.

Independentemente da resposta, uma coisa é certa – estamos perdidos. Difíceis são esses novos tempos onde tudo a nossa volta parece correr mais rápido que a nossa capacidade de percepção. Trabalhamos demais, ganhamos de menos, vivemos entre o mundo virtual que cobra felicidade, e o real que pede mais atenção. Somos muitos quando deveríamos ser, simplesmente, únicos. Criamos a ilusão de que nada passa aos nossos sentidos, mas, a verdade é que, quase tudo nos escapa.

Esse contato direto com mil emoções, faz com que acreditemos que vivemos tudo ao extremo, apesar de sabermos muito pouco sobre o que nos cerca. Conhecemos alguém agora e, no segundo seguinte, juramos amor eterno. Achamos alguém interessante e, em pouco tempo, já utilizamos mil adjetivos, como se fossem adereços, para classificar quem mal conhecemos. E, assim, seguimos banalizando sentimentos e subestimando a nossa capacidade de sentir verdadeiramente. É como se puxássemos linhas que trazem emoções fugazes, porém, impressionantemente descartáveis.

Viver em um carrossel de emoções não é uma escolha e, sim, uma imposição do mundo que habitamos. Mas é possível minimizar seus efeitos, desafiando a velocidade que o tempo nos impõe. Desacelerar é o verbo que devemos conjugar em quantas pessoas conseguirmos e, dessa forma, garantir um folego maior, que nos permitirá olhar novamente ao nosso redor e, enfim, captar cores e texturas das formas que passamos a enxergar parcialmente. Enxergar o mundo fracionado passou a ser o suficiente, nesta nova ordem que parece não ter muito apreço pela paciência.

Vivemos os reflexos de um tempo, onde, o tempo, é tudo o que não temos. O que me faz acreditar que estamos diante de uma difícil escolha: queremos o raso em excesso ou a riqueza dos detalhes que só a calma é capaz de oferecer? Talvez não exista uma escolha única, mas, não há como negar que usufruir a plenitude de momentos bem vividos não pode, jamais, ser substituída pela pressa de viver experiências que serão esquecidas, antes mesmo de serem lembradas.

2 comentários em “Carrossel de emoções”

  1. Isso é mesmo uma coisa engraçada da gente. Mas tem pessoas que têm isso ao extremo, e nem são bipolares. Talvez sejam geminianas, hahaha. Mas apesar de todos termos um pouco desse carrossel, eu tenho dificuldade de lidar com aqueles que têm esse carrossel acentuado demais. Tudo nos ensina, né?

  2. E teremos o primeiro barraco desse blog! O QUE VC TEM CONTRA GEMININANOS, LUIZA, “KIRINHA”? Esse mundo muito louco só pode se tornar verdadeiramente divertido e possível de entendimento se visto aos nossos olhos, meu bem! Com licença! E pode adicionar aqui todas as expressões corporais de indignação que vc conhecer, ok? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Tá. Dá pra ver que a gente é uma galera bem louca mesmo. Mas, tudo na vida tem um explicação. E vou linkar isso com o comentário pra a temática e a construção do texto… Acredito que esse humor flutuante e bipolar vem muito da capacidade de algumas pessoas enchergarem os dois lados (ou mais) das situações a todo instante. E foi lindo, lindo ler esse dualismo aqui. Isso nem é comum por aqui… O fato é que consegui me ver em cada linha, surtando por motivos variados e depois sentando pra meditar e acabar chorando de felicidade e amor transbordando sem controle, por exemplo. Não acho que eu seja bipolar a nível de CID-10, então prefiro acreditar que tudo isso seja por conta do meu signo mesmo. Como sou umbandista, acho que meus guias também entram nessa conta aí… Devem ser a turminha da bagunça de Aruanda. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (SOCORRO!)

    Mas sinceramente, pode parecer estranho… No entando, prefiro toda essa turbulência emocional a frieza ou a apatia. Já andei por esses campos e não pretendo tornar a caminhar por lá. Com delay ou sem, fora de propósito ou não… Acho que de alguma forma, esse é o meu jeito de ser única sendo muitas.

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