Cair de maduro

Cair de maduro. Todos já ouviram essa expressão que, dentre várias possibilidades, significa que alcançamos o nível máximo de alguma coisa. O que não quer dizer quase nada, mas, estar maduro é, em alguma medida, estar pronto. O grande desafio é saber para que, quando e como deveremos estar prontos. Convivemos com essa espada sobre as nossas cabeças desde sempre. Encaramos situações diversas diariamente, mas isso não parece nos preparar para muitas coisas, uma vez que continuamos aguardando o instante em que estaremos, de fato, prontos.

Quando começamos a encarar os desafios que a vida nos impõe e, percebemos que o nível de dificuldade aumenta de forma proporcional ao avanço do tempo, é que passamos a desenvolver uma busca pelo momento em que nos tornaremos aptos. Enquanto esse momento não chega – se é que ele um dia chegará – seguimos substituindo certezas invisíveis por ansiedades concretas.

Envelhecemos de formas distintas, pois cada um de nós encara o passar dos anos de formas diferentes. Essa passagem através do tempo nos oferece um grande privilégio: a maturidade. Que não tem hora certa e muito menos data programada para acontecer. Pode ser aos quinze, aos vinte e cinto, aos quarenta e três ou aos oitenta e um. E pode ser que ela nunca pouse sobre as nossas vidas plenamente. Mas, e daí? O ato de amadurecer não é compulsório, é escolha.

A passagem do tempo é incontestável e não estabelece um estado de maturidade proporcional as rugas que acumulamos. Atravessar o tempo nos ajuda a agregar experiências que, no futuro, irão nos alertar sobre alguns padrões de comportamento já vividos e que, por motivos óbvios, não gostaríamos de recuperar. Muitos diriam que este é um dos sintomas mais comuns de maturidade. Não discordo, mas também percebo que, não é a dificuldade em acumular experiências e, sim, o que apreender a partir delas, o entrave que nos impede de reconhecer o momento em que nos tornamos maduros.

A percepção de que estamos amadurecendo, vem quando conseguimos, pouco a pouco, domar a ansiedade provocada pela inexperiência e, colocar em seu lugar, a serenidade própria de quem já experimentou e foi experimentado pela vida, de quem já caiu e levantou muitas vezes, de quem, enfim, compreendeu que viver é guardar e refazer estórias que, em algum momento, transformarão formas rígidas e sem gosto, em criaturas maleáveis e cheias de sabores.

Amadurecer é difícil. Sobretudo quando não se tem a dimensão de até onde podemos chegar. E, quanto mais restrito é este horizonte, mais apegados a experiências rasas e desinteressantes podemos ser. Essa visão de mundo, cheia de urgência e pouca paciência, tão comum aos jovens, nos leva a associar uma certa inconsequência à juventude, assim como relacionamos a serenidade com a velhice. É um lugar comum repleto de exceções.

Tirar o pé do acelerador, ampliar o campo de visão e, sobretudo, ser paciente… À medida em que nossos sentimentos se tornam mais brandos e o raciocínio toma o controle dos nossos atos, amadurecemos. Até mesmo aqueles que pontuam suas vidas por episódios regados a paixões desmedidas, acalmam seus exageros quando resgatam suas experiências anteriores. É quando entendemos que passamos muito tempo fazendo perguntas para as quais já tínhamos respostas que passavam despercebidas. Caímos de maduro quando nossas questões ingênuas não provocam mais tanta ansiedade. Caímos de maduro quando as perguntas diminuem seu ritmo e passam a andar de mãos dadas com as nossas próprias respostas.

Um pensamento em “Cair de maduro”

  1. Meu Deus! É mesmo! Vc está com 43, né, tio Prof? Não parece 43 mesmo! Pelo menos na aparência!
    Meu objetivo é amadurecer o suficiente pra ver o envelhecimento com mais gratidão. Tentar me deixar influenciar menos pela forma como a sociedade no geral enxerga o envelhecimento, e ver como um processo positivo. Que alegria envelhecer e ver os amigos envelhecendo saudáveis.
    Outra coisa sobre esse texto: me lembrou da música do Oswaldo montenegro, por algum motivo. Acho que o nome da musica é “a lista”.

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