A vida e seus ciclos

A vida é simples. De verdade. O que não quer dizer, de forma alguma, que viver é fácil. Pode parecer a constatação do óbvio mas, nem por isso, deixa de ser fascinante tentar entender essa relação que coloca o simples e o fácil em lados opostos do mesmo ringue e, de que maneira, ambos interferem nos ciclos que nos regem.

Somos compostos por ciclos que começam e terminam sob a implacável ação do tempo. No momento em que nascemos, o relógio começa uma jornada sem escalas, rumo aos ciclos de 365 dias. Períodos que irão imprimir marcas, acumular vivências, mudar nossos pontos de vista e comandar nossa existência até o fim.

Quando somos jovens, não percebemos a suavidade de seu avanço e nos interessamos especialmente por seu início. Um novo ciclo que começa, traz em sua bagagem, sentimentos de esperança e sonhos de renovação, como se, a cada novo período, um fôlego extra nos permitisse seguir além.

Dias, semanas, meses e anos… Estes são aqueles ciclos compulsórios sobre os quais não temos nenhum controle ou poder. Nos restando, apenas, obedecer às regras de um jogo conhecido. Porém, como somos insubordinados por natureza, achamos por bem tentar mudar essas regras. É aí que começam os nossos problemas…

Queremos dias mais longos e agitados, semanas menos corridas, bons momentos mais demorados e freios que diminuam a velocidade dos anos. Reparem que, à medida que não controlamos esses ciclos, mergulhamos em uma eterna contradição onde, ora precisamos ter pressa, ora desejamos sossego. Uma batalha completamente perdida, mas que adoramos acreditar que a venceremos um dia.

Nosso eterno cabo de guerra com o tempo influencia, intimamente, os ciclos que podem ser criados e controlados por nós, com alguma segurança. Quando ingressamos na vida social, um longo caminho, repleto de ciclos sobrepostos, se abre à nossa frente. Nele, amizades serão feitas e desfeitas, turmas serão formadas ano após ano, trazendo ganhos, expondo perdas e sedimentando experiências. Isso nos ensinará que, apesar de imutáveis no formato, os ciclos serão absolutamente transitórios e imprevisíveis.

Os anos passam e tornam a chegar. Renascemos a cada aniversário, abrindo e fechando ciclos vão muito além da idade cronológica. Os novos anos dizem adeus aos felizes anos velhos, que os saúdam e transferem bastões carregados de sorrisos, amores, lágrimas, problemas e toda sorte de situações vividas. Isto significa que as experiências acumuladas ao longo da vida, nos transformam. Por vezes com gentileza, por vezes com a delicadeza de um coice.

As relações que estabelecemos nessa caminhada, formam nossos ciclos particulares, onde podemos decidir sobre seu início, meio e fim. Analisando desta forma, parece simples e talvez seja mas, certamente, está longe de ser fácil.

Nessa estrada, as direções nem sempre estão muito claras, o que nos leva a repetir alguns trajetos conhecidos, que revivem ciclos que teimam em aceitar os seu fim. Amizades unilaterais e amores egoístas são ótimos exemplos. Quem nunca percebeu a sua aproximação, sentiu o sinal de alerta ser acionado mas, ainda assim, permitiu-se, uma vez mais, dar uma nova chance a um ciclo dissimulado que parece eternamente inacabado?

Não importa quando. Em algum momento, todos nós fazemos um balanço das experiências que vivemos em diferentes ciclos da vida. Olhamos para trás, buscando no que foi vivido, respostas para novos desafios que teremos à frente. Nem sempre conseguimos as soluções que esperamos, mas podemos observar, a uma certa distância, as nossas boas e ruins contidas em ciclos de importância e tamanho distintos. Isso nos confere uma enorme oportunidade de escolha sobre os erros e acertos que queremos repetir ou evitar. Queremos seguir por ciclos tortuosos e estreitos, difíceis de encontrar a saída ou entrar em caminhos amplos e suaves? Escolhas importantes que podem até não ser fáceis, mas que, com certeza, são mais simples do que imaginamos.

 

6 pensamentos em “A vida e seus ciclos”

  1. Muito bom texto. Direto e preciso. Alguns ciclos merecem e precisam ser repetidos. Outros, nem deveriam ter começado.

  2. Concordo com o Alaor. O problema é que muitos ciclos que “nunca deveriam ter começado”, a gente só de dá conta de que não deveriam algum tempo depois. O melhor é tentar ter compaixão conosco e aceitar que tudo é aprendizado.

  3. Excelente! Como é fundamental perceber os ciclos das nossas vidas. Para poder repetir ou nunca mais deixar que aconteçam de novo. hehehe

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