#8M

O oito de março talvez seja o dia mais controverso do ano. E por várias razões. Passamos muito tempo condicionados a acreditar que o dia Internacional da mulher nao passava de uma fofa. Data essa em que isentavamos mães, esposas e sogras da labuta doméstica diária, da responsabilidade do almoço de domingo,  de cuidar das crianças… tudo isso coroado com o clichê mais adorado de todos os tempos: o buquê de flores. Expressão maior do amor social pelas mulheres. Quer dar flores? Bombons? Roupas? Dê! Mas, saiba que o #8M vai muito além dessa firula anual.

Se você que nos lê, tiver alguma dificuldade para entender o que esse dia significa, olhe para a mulher mais importante da sua vida e reflita sobre as qualidades que ela emana. Tente ser justo na sua análise e, se preferir, mantenha em sigilo caso não queria dar o braço a torcer. O que, aliás, é uma grande bobagem não querer aplaudir tamanha potência. Depois, observe todas as mulheres ao seu redor e faça o mesmo exercício. Porém, não caia na armadilha machista de achar que não há nada de especial no feminino.  Muitas vezes elas são tão especiais que ultrapassam a nossa capacidade de compreensão. Já pensou sobre isso?

Aproveite este dia, em que muito se fala sobre a mulher, para ouvi-la. Elas sempre tem muito a dizer. O que pode incomodar a delicada concentração masculina, que nos limitada a uma ação por vez. Mas, treine a sua escuta e verá que é libertador compreender que, no mundo, existe uma palheta de cores e percepções que vão muito além da rígida e pouco criativa objetividade do XY. Seja cúmplice das ideias e ideais de uma mulher, mesmo sem saber muito bem o porquê. Tenha em mente uma coisa, mulheres são coletivas e quase tudo que pensam ou desejam, vai muito além do óbvio, se expande e atinge a todos em sua órbita. Ah, e não tente medir a sua força… É batalha perdida.

Dimensionar a força feminina é algo impossível, improvável e impensável. O patriarcado tenta, desesperadamente, tratar o feminino como algo menor e confuso por uma única e clara razão:
Ninguém pode com elas!
Mulheres são a força da natureza. Mulheres são a natureza. A resiliência humana é um dos nossos maiores poderes, mas, nas mulheres, ela ganha mais potência. Mulheres são diversas. Ora são de um jeito, ora de outro e, depois, voltam a ser como antes para, então, mudarem novamente. É instigante perceber isso e, ao mesmo tempo, desafiador. Mas, o que deveria ser um motivo de exaltação, por muitas vezes, é o gatilho para a incompreensão, ódio e morte.

Porém, mesmo que as tentativas sejam inúmeras, tentar silencia-las é uma tentativa inútil, e muito óbvia, de negar a essencialidade do feminino. Ou seja, uma grande perda de tempo.
Por isso, mulheres, comemorem se quiserem, ganhem flores se quiserem, melhor ainda se vierem cercadas de afeto genuíno, lutem se puderem e se façam ouvir, sempre. Continuem demonstrando, com a sua habitual coragem, a importância da igualdade. Sejam quem quiserem ser! E, sobretudo, mantenham-se na luta até que todos, sem exceção, aprendam a urgência e a necessidade do respeito à mulher. Estamos juntos nessa.

Feliz dia de Luta!
#8M #diainternacionaldamulher #internationalwomensday #aquipensando #marcorocha

2 comentários em “#8M”

  1. Muito boa a reflexão…as mulheres sao complexas, simples e maravilhosas mesmo…
    Que saibamos tb cultivar o feminino dentro de todos nós.

  2. Esse texto forte e sensível é a prova de que é importante abrir espaço pra vcs, homens, no feminismo. Algumas bandeiras “anti-macho” são levantadas e me soa tão injusto e violento quanto a bandeira do patriarcado.

    Exemplo disso:
    Eu no ônibus, sentada no corredor e a cadeira da janela vazia. Homens talvez não saibam, mas é uma medida de segurança. Bom, entra uma leva de pessoas e no meio um rapaz. Não sobrou outro lugar pra ele a não ser os preferenciais ou o bem ao meu lado. Ele não fez qualquer mensão de pedir pra se sentar. Mas “ofereci” o lugar e ele aceitou. E minha viagem poderia ter seguido normal a partir daqui. Não fosse o notório desconforto do rapaz. Que não só não se movia, como arrumou um jeito de ficar todo encolhido para tocar o menos possível em mim: mãos entrelaçadas, visíveis, entre as pernas, ombros quase “se beijando”na frente do peito.

    Como mulher, de primeira pensei: obrigada universo, finalmente um ser consciente que não senta todo arreganhado. Mas num segundo momento pensei: ele não está assim por acaso e dá pra sentir a insegurança e o desconforto, oq houve pra que ele chegasse a esse ponto? Pq ultrapassou claramente o limite da educação. Um rapaz, negro, talvez um pouco mais velho que eu com medo de estar sentado ao meu lado. Eu, negra, talvez um pouco mais nova que ele e um pequeno detalhe que pode justificar essa postura: eu estava de vestido.

    Eu não fiquei feliz em perceber aquele desconforto. Eu também não queria ser olhada ou “paquerada”. Eu não queria que ele tivesse a mesma falta de noção da grande maioria dos caras que se sentam ao lado de uma mulher no transporte público. Será que esse é o caminho? Seu texto nos mostra que não. Vale a pena unir forças. Vale a pena ter olhos sensíveis pra ver que muitos homens são muito mais feministas que muitas mulheres. Vale a pena não querer oprimir pra ir à forra. Vale a pena educar as crianças (meninos e meninas) para serem pessoas respeitosas com todxs.

    Obrigada por enaltecer a figura da mulher e ser um dos que sabem ser sensíveis as nossas causas e por expandir essa reflexão. ✊🏾💖

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