Isolamento e empatia

Há momentos na vida em que estamos diante de uma série de situações com as quais não sabemos lidar. Situações difíceis onde somos obrigados a tomar decisões que, normalmente, não são nada fáceis. Quase sempre erramos? Sim, mas, são essas horas complicadas que nos ensinam a enxergar a vida por diversos prismas. E, quando isso acontece, poucas atitudes são tão sensatas quanto parar, pensar e tentar entender que, diante de algo grandioso demais, é preciso recuar e aceitar que isolamento e empatia podem ser grandes parceiros.

Vivemos tempos muitos estranhos, não é de hoje. Os últimos anos provocaram uma verdadeira avalanche de acontecimentos difíceis de digerir, mas, talvez, nada tenha sido tão emblemático quanto o que vivemos agora. Tateamos no escuro em busca de uma fresta que nos guie até a luz de um entendimento possível, mas, ao invés disso, nos aprofundamos ainda mais numa espécie de escuridão sorrateira e difícil de vencer. Em um ano que começou com ameaças de guerra, nos deparamos agora, com uma batalha as avessas.

Lutamos contra um inimigo de baixa letalidade, porém, capaz de estragos imensos. O mundo está de ponta a cabeça, seja por necessidade ou por alarde. Não sabemos exatamente como agir, mas, de uma coisa ninguém duvida: É preciso fazer alguma coisa. E logo. Corremos riscos de adoecer, apesar de sabermos que é possível evitar um cenário de sofrimento, que ameaça se formar bem diante de nossos olhos. Como evitar o pior? Simples, colocando-se em reclusão voluntária é uma boa pedida. Coisa que, infelizmente, não é tão simples quanto parece ser.

Uma decisão que, para muitos, é bastante fácil, para outros, pode exigir enormes sacrifícios. A razão para isso, inevitavelmente, nos leva a perceber que a questão vai muito além da tentativa de se manter saudável. Recuar para uma saída estratégica afeta brios, orgulhos, ética e, sobretudo, o conceito que cada um de nós tem sobre coletividade. Até que ponto estamos dispostos a renunciar às nossas liberdades individuais, para assegurar o bem estar coletivo?

Reclusão não trata, apenas, da retirada de pessoas de seus espaços habituais. Sair de cena pode se tornar uma decisão dificílima quando conseguimos enxergar, somente, o nosso próprio umbigo. Nosso inimigo é desconhecido, mas, nem tão perigoso assim, se entendermos o que é preciso ser feito para que esta crise não se transforme em catástrofe. O que inclui o controle do pânico. Não há nada pior que desinformação e medo caminhando de mãos dadas. O efeito dessa união é o motor que nos leva a desabastecer mercados, buscar terapias alternativas e ineficazes e ignorar a importância de quem está do nosso lado, mesmo que sejam desconhecidos.

Nada pode ser mais nocivo, especialmente em períodos difíceis, do que a incapacidade de perceber a necessidade do outro. Em momentos sombrios e confusos como estes, a terapia mais eficaz, ainda é, o exercício da empatia. Seu poder é tão grande, que não há pandemia capaz de suportar o poder de cura por trás do cuidado com o próximo. Mesmo que esse cuidado inclua sair de cena. Quando o todo percebe a sua força coletiva, não há moléstia que perdure para sempre.

#8M

O oito de março talvez seja o dia mais controverso do ano. E por várias razões. Passamos muito tempo condicionados a acreditar que o dia Internacional da mulher nao passava de uma fofa. Data essa em que isentavamos mães, esposas e sogras da labuta doméstica diária, da responsabilidade do almoço de domingo,  de cuidar das crianças… tudo isso coroado com o clichê mais adorado de todos os tempos: o buquê de flores. Expressão maior do amor social pelas mulheres. Quer dar flores? Bombons? Roupas? Dê! Mas, saiba que o #8M vai muito além dessa firula anual.

Se você que nos lê, tiver alguma dificuldade para entender o que esse dia significa, olhe para a mulher mais importante da sua vida e reflita sobre as qualidades que ela emana. Tente ser justo na sua análise e, se preferir, mantenha em sigilo caso não queria dar o braço a torcer. O que, aliás, é uma grande bobagem não querer aplaudir tamanha potência. Depois, observe todas as mulheres ao seu redor e faça o mesmo exercício. Porém, não caia na armadilha machista de achar que não há nada de especial no feminino.  Muitas vezes elas são tão especiais que ultrapassam a nossa capacidade de compreensão. Já pensou sobre isso?

Aproveite este dia, em que muito se fala sobre a mulher, para ouvi-la. Elas sempre tem muito a dizer. O que pode incomodar a delicada concentração masculina, que nos limitada a uma ação por vez. Mas, treine a sua escuta e verá que é libertador compreender que, no mundo, existe uma palheta de cores e percepções que vão muito além da rígida e pouco criativa objetividade do XY. Seja cúmplice das ideias e ideais de uma mulher, mesmo sem saber muito bem o porquê. Tenha em mente uma coisa, mulheres são coletivas e quase tudo que pensam ou desejam, vai muito além do óbvio, se expande e atinge a todos em sua órbita. Ah, e não tente medir a sua força… É batalha perdida.

Dimensionar a força feminina é algo impossível, improvável e impensável. O patriarcado tenta, desesperadamente, tratar o feminino como algo menor e confuso por uma única e clara razão:
Ninguém pode com elas!
Mulheres são a força da natureza. Mulheres são a natureza. A resiliência humana é um dos nossos maiores poderes, mas, nas mulheres, ela ganha mais potência. Mulheres são diversas. Ora são de um jeito, ora de outro e, depois, voltam a ser como antes para, então, mudarem novamente. É instigante perceber isso e, ao mesmo tempo, desafiador. Mas, o que deveria ser um motivo de exaltação, por muitas vezes, é o gatilho para a incompreensão, ódio e morte.

Porém, mesmo que as tentativas sejam inúmeras, tentar silencia-las é uma tentativa inútil, e muito óbvia, de negar a essencialidade do feminino. Ou seja, uma grande perda de tempo.
Por isso, mulheres, comemorem se quiserem, ganhem flores se quiserem, melhor ainda se vierem cercadas de afeto genuíno, lutem se puderem e se façam ouvir, sempre. Continuem demonstrando, com a sua habitual coragem, a importância da igualdade. Sejam quem quiserem ser! E, sobretudo, mantenham-se na luta até que todos, sem exceção, aprendam a urgência e a necessidade do respeito à mulher. Estamos juntos nessa.

Feliz dia de Luta!
#8M #diainternacionaldamulher #internationalwomensday #aquipensando #marcorocha