Esperança, sonho e realidade

Já repararam que, independente de quão difícil é a situação real, estamos sempre seguindo em frente, guardando no peito um sopro leve e especial? Sopro que guardamos em lugar seguro para que nada possa leva-lo para longe de nós. Esse cuidado é responsável pelo frescor que nos ajuda a vencer as intermináveis dificuldades, que esbarram por nós ao longo da nossa estrada. E são essas dificuldades as responsáveis por grandes revoluções internas que nascem de um sopro de esperança, sonho e realidade.

Quem nunca se pegou em uma enrascada daquelas, sem saber para onde ir ou o que fazer, mas, sabia que, lá no fundo, aquilo não passava de uma fase ruim e que não tardaria a ir embora? Pois é, saber ao certo o porquê seguimos acreditando em dias melhores é um tanto complicado. Uns chamam de fé, outros de otimismo e há quem diga que exista um pouco de loucura nisso. Loucura, aliás, é um termo muito utilizado quando não sabemos explicar uma situação, um fato.

Sopro e chama. A combinação perfeita que transforma a suavidade em intensidade, forte o suficiente para nos sustentar em períodos difíceis, ajudando a manter a cabeça erguida e a crença de que algo novo está por vir. Esses dois elementos podem fundir-se em um sentimento tão poderoso, quanto necessário, que nos leva a enfrentar desafios, entender as derrotas e saborear vitórias. Sopro e chama de viver, são os ingredientes que nos levam até a arma mais potente e necessária de nossas vidas: a esperança.

Esperança que é combustível diário, que não permite que deixemos de sonhar e acreditar. Não importa se são pequenos ou grandes, fáceis ou, aparentemente, impossíveis. Os sonhos alimentam e fortalecem nossas almas. Sim, pode até parecer piegas, ok, mas e daí? Mas não há como fugir dessa. Afinal, verdades importantes, daquelas incontestáveis, costumam ser constrangedoramente simples. Talvez por isso, tenhamos tanta dificuldade em aceita-las. Pior para nós. Mas, em algum momento, essa ficha cai e deixa tudo mais leve.

Esperança e sonhos nos inquietam, mas isso, por si só, não é tudo. É preciso transformar esse frisson em concretude. É o que chamamos de realização. Mas, essa conta nem sempre é fácil como parece. A esperança nos faz sonhar e pode, até, transformar sonhos em realidade. Mas é preciso um pouco mais. A concretização dos sonhos depende de sorte, mas, sobretudo, de atitude. Por isso, mantenha seus sopros de esperança sempre em lugar seguro, porque, de uma hora para outra, eles podem transformar seus sonhos em realidade.

Desafios cotidianos

Tem dias em que algumas perguntas ficam martelando a cabeça e o coração e nos levam a reflexões que, normalmente, não fazemos. Pensar sobre o que nos leva adiante é um bom exemplo disso. O que será que me tira da cama todos os dias pela manhã, para além das respostas óbvias, como trabalho, escola, cuidar dos filhos? É claro que a motivação não é provocada por um único estímulo. Ocupamos novos espaços porque queremos mais que o direito básico à sobrevivência. Talvez os desafios cotidianos possam nos ajudar a responder.

Sentir-se desafiado é o que impede que fiquemos paralisados diante da vida. Tudo bem que, não saímos de casa pensando – hoje eu vou trabalhar porque estou me sentindo desafiado – Mas, é claro, que a real intenção é essa. Ganhar dinheiro, um desafio. Pagar as contas, outro desafio. Exercita-se, mais um desafio. Estes exemplos, dentre tantos outros, fazem parte do nosso dia a dia, mas, que, achamos por bem chamar por outros nomes. O que pode facilitar e amenizar o caminho até as futuras conquistas.

Nomear o que nos faz caminhar não é o mais importante, o essencial é saber que, seguir em frente, faz parte do desejo por algo novo e melhor, seja de forma consciente ou não. Essa teimosia em continuar seguindo, apesar das pedras no caminho, pode ter várias origens, mas, a maior delas, certamente, é a inquietude ancestral que nos impede de parar e aceitar a existência do impossível. Talvez seja essa energia que tenha nos trazido até aqui e que ainda nos levará a lugares inimagináveis.

Nestes dias onde viver se tornou o maior de todos os desafios, sobra pouco tempo para transformar os nossos sonhos em realidade e, assim, criar os nossos desafios particulares. Sobreviver é fundamental, mas, nada como tornar real uma ideia ou fazer acontecer aquele projeto que sempre pareceu inatingível. Esses desafios vão além do roteiro básico que nos mantém vivos. Somos muito mais do que engrenagens que precisam de água, alimento e ar para sobreviver, reproduzir e morrer. Afinal, o essencial, por vezes, não é o suficiente.

A nossa principal característica, talvez seja a capacidade de transformar sonhos em realidade. Não há sonho que não nos desafie, assim como não há realização sem tenhamos sido desafiados em algum momento. Desafios conectam o pensamento à ação, a dúvida à certeza e o desejo à realização. Reparem no movimento que essas palavras trazem ao serem lidas. Assim é com a vida. Entre a intenção e conquista é preciso compreender que, independente de toda e qualquer dificuldade, necessitamos de um único estímulo que nos leve aonde sonhamos chegar. Nada é mais desafiador do que ser grato por todas as conquistas que nasceram de uma ousadia chamada desafio.

O sentimento mais cobiçado do mercado

            Amores vêm e vão. Todos sabemos que o ato de amar pode significar tudo, menos a privação da liberdade. Mas, se isso não é nenhum segredo, por que razão cometemos o mesmo erro repetidas vezes? Por que tentamos, a qualquer custo, sustentar relacionamentos em ruínas? Vai saber, mas tenho cá minhas dúvidas se, o que nos mantem presos a essas relações, é o amor ao outro ou o simples desejo de manter guardado no peito, o sentimento mais cobiçado do mercado.

            O amor é inebriante, fato. E isso faz com que o simples contato com ele, provoque tantas reações inesperadas e incomuns, que levam a nocaute praticamente todas as criaturas que cruzam o seu caminho. O que, olhando de forma isenta, parece um tanto assustador imaginar que um único sentimento é capaz de alterações tão profundas. Mas, como ficar isento diante de algo que mais parece um tsunami? Quando acreditamos estar longe de seu alcance, ele chega, sem qualquer aviso prévio, e nos arrebata sem dar chance de defesa.

            O amor, em si, é único. Amamos e ponto. Mas, é claro que há muitas nuances na maneira como expressamos esse sentimento. Intensos, suaves, insanos, divertidos, descontrolados… Ou tudo isso ao mesmo tempo, variando de acordo com o gosto e temperamento do freguês. Os objetos do amor mudam ao longo da vida. Mais para alguns, menos para outros, mas, em geral, o amor sempre se apresenta. E adoramos quando isso acontece, mesmo sem saber para onde isso irá nos levar.

           Esse sentimento que os poetas pintaram com as tintas de romantismo, não passa de reações químicas fortíssimas que dominam o nosso sistema nervoso, segundo a ciência. O que, trocando em miúdos, uma vez apaixonado, nosso cérebro altera tudo ao seu alcance. O que nos deixa emocionalmente alterados, também provoca mudanças fisiológicas. Esse sentimento é químico, é biológico e pode provocar dependência. O amor é profundamente cerebral, mas não revelem isso ao coração, ele pode não aguentar.

         É desafiador tentar racionalizar algo que é, essencialmente, sentimento. Mas, não há como não se perguntar, diante desse cenário, se o que nos faz falta é amar alguém ou se, o que queremos, de fato, é ter a oportunidade de sermos atropelados por essa força da natureza que resolvemos chamar de amor? Pode parecer um tanto confuso, e é. Amar não é simples, o que não significa que precise ser complexo. Muitas vezes não sabemos lidar com ele, o que causa um certo pânico. E, possivelmente, essa seja a razão de cometermos sempre o mesmo equívoco – tentar ter controle sobre um sentimento que suporta amarras.

              O que faz com que nos percamos no meio desse caminho cheio de atalhos e curvas, é a dificuldade em enxergar que o amor é uma imagem espelhada, uma estrada que corre junto a um rio, dois corpos de mãos dadas. O amor precisa estar latente, precisa ser sentido, mesmo quando não há alguém para fazer o papel da pessoa amada. O amor é uma ponte permanente, sempre pronta a realizar novas conexões e, mesmo que isso não ocorra, essa ponte estará ali para nos mostrar que, independente de sua mágica, o amor é sentimento que se constrói livremente de dentro para fora. Nunca ao contrário.