Por que eu continuo sozinho?

Ser jovem, lindo e estar pronto para tudo. Estes são desejos mais que cobiçados por uma legião de pessoas ao redor do mundo. Todos ávidos por novidades de todas as formas e jeitos. Queremos conhecer pessoas, ficar, amar, desistir e começar tudo de novo, estabelecendo um looping interminável e viciante que atende aos nossos anseios imediatos, mas que, a longo prazo, também é capaz de nos confundir. E muito.

Não é novidade que o ritmo alucinante que a vida imprime ao nosso cotidiano acaba, muitas vezes, encobrindo detalhes impossíveis de serem vistos se estivermos com pressa. Isso se aplica para toda e qualquer coisa, especialmente quando se trata de amor. A todo tempo queremos ou conhecemos alguém que quer alguém. Mas com tanta gente no mundo, por que essa tarefa é tão difícil?

Podemos culpar o outro por não ser capaz de preencher a nossa detalhada lista de pré-requisitos e, na verdade, fazemos isso com frequência. Assim, criamos uma desculpa aqui e outra ali, para continuarmos dizendo que a busca por um amor não está fácil para ninguém. Dessa forma, seguimos em frente e em velocidade máxima, olhando para os lados vez ou outra, buscando perfis aleatórios que podem, quem sabe, se candidatar ao posto de grande amor das nossas vidas. Enquanto isso…

Mesmo sendo complicado, a maioria de nós já perseguiu o modelo de amor idealizado e, certamente, quebrou a cara. O que é ótimo pois, se não te fez entender que o ideal só existe em romances, com certeza serviu para criar uma memória sobre o que não fazer no próximo relacionamento. Por vezes, na ânsia de encontrar alguém para chamar de seu, deixamos aquela lista surreal de lado e só focamos no que vemos superficialmente. Se gostarmos, muito bem, vamos ver onde vai dar. Só que, com isso, não percebemos todos os sinais de alerta que indicavam: Pare! Não siga em frente! Pegue a próxima saída… Bom, o resultado disso já sabemos bem qual é.

A grande questão é que não estamos falando apenas sobre como as oportunidades, ou a falta delas, podem passar discretamente por nós. O que não nos damos conta, é que o tempo também passa por cima de nós, como um rolo compressor implacável e, com ele, não podemos brincar de roda gigante. Isso cria um estilo de vida, no mínimo, intrigante. Juntamos na mesma equação a nossa urgência pelo quero e quero agora, com o tempo que corre a passos muito largos e isso cria um desafio monumental para todos nós. Talvez seja essa a grande cilada. Sentir-se livre para todas as experiências possíveis, mas esquecendo que a realização de todas elas, é apenas, uma ilusão.

Em algum momento, você irá se perguntar o porquê de estar sozinho e milhares de respostas irão surgir. Estar, de alguma forma, ligado a um amor antigo, ter algum receio de novas experiências ou simplesmente não querer compromisso, uma vez que seu bem mais precioso é a liberdade de escolher onde, quando e com quem estar. Independente do motivo, estar sozinho não significa estar abandonado. Longe disso. É possível que se tenha muito a aprender sobre essa nova forma de viver e, não é por acaso, que frequentemente nos sentimos num limbo onde, a obrigação de ter alguém é tão forte quanto o desejo pela liberdade de estar só.

Contradições à parte, o que todos nós queremos é estar bem e compartilhar explosões de felicidade. Dito dessa forma parece simples, o problema é escolher quais são os caminhos que nos conduzem até lá. Nesse meio tempo, vamos experimentando diversos estilos, que variam entre estar a sós, pessimamente acompanhados, bem acompanhados e solitários e, até mesmo, estarmos muito bem acompanhados e felizes. Definitivamente não há formula certa, por isso, se até agora você não conseguiu responder por que continua sozinho, tudo bem. Vamos seguir tentando, afinal, ninguém disse que seria fácil.

Respeito é bom e eu gosto!

Muito se fala sobre o respeito à diferença nos dias atuais. O que é um caminho cheio de espinhos, uma vez que estamos afundados em um período onde a intolerância e indiferença se esparramam de forma sorrateira em grande parte das relações. O que torna bastante difícil saber o que os outros pensam de fato. Se agem de forma verdadeira ou se passam a vida fazendo pose.

Entendo que ser intenso e muito elaborado o tempo todo é difícil e, por vezes, cansativo, mas o contrário também não parece ser atraente. Ser superficial, tampouco é garantia de uma vida sossegada. A grande questão aqui, está relacionada aos extremos. Nos encaminhamos, cada vez mais, para os frios pólos de comportamento, esquecendo que o caminho do meio é sempre mais morno, agitado e diverso.

Com isso, vemos intelectuais achando a massa ignorante, enquanto os bem informados pelas redes sociais juram que sabem demais e, assim, seguimos apontando o dedo para tudo e todos, cobertos de razões muito particulares, mas que quase sempre fazem muito pouco sentido, uma vez que só o seu lado da moeda é o correto.

Essa polarização cria um efeito dominó bem perverso. Se por um lado, nos tornamos radicais na forma de pensar e agir, por outro, passamos a desmerecer tudo que é diferente da nossa forma de ver o mundo. Isso pode ser o combustível que não apenas inflama, mas traz à tona sentimentos e emoções que passamos a vida inteira tentando negar e que, não por acaso, nos surpreendemos ao constatar que, apesar de não admitir, também somos afetados por eles. Com isso, damos forma e força a pensamentos e práticas que excluem e isolam, desprezando algo que temos de precioso, a nossa capacidade de amar.

Levantar bandeiras e defender causas em que acreditamos faz parte do nosso papel na sociedade, porém, usar esses direitos para suprimir opiniões e ideias alheias, como se fossem menos importantes, além de leviano, é tolo.

Nesse mundo onde as conexões não conhecem mais limites, é praticamente impossível ouvir, ler e apreender todas a informações que nos bombardeiam segundo a segundo. O que nos força a fazer pequenos recortes da realidade que, infelizmente, estabelecemos como verdade absoluta. Dessa maneira, ficamos em meio a um fogo cruzado onde todos falam, falam mas, no fim, tem muito pouco a dizer.

O que não significa, com isso, que tenhamos que elaborar teses sobre qualquer assunto, afinal, a vida não nos permite acesso irrestrito a tudo, mas podemos começar pelo básico. Saber ouvir e querer ouvir. E, só então, decidir qual rumo seguir. É um exercício difícil, mas urgente em tempos de imediatismo dominante.

Voltando ao ponto de partida, como é possível perceber e respeitar as diferenças se, sequer damos chance para conhecer o que está fora da nossa, muitas vezes limitada, zona de conforto? Simples. Basta estar disponível. Gostar de tudo não é uma meta a ser batida. Fazemos escolhas que mudam com o passar do tempo, mas se há algo que não deveria ser suscetível a mudanças, é o respeito pelas escolhas do outro.

Este talvez seja o nosso maior desafio futuro. Perceber que aquilo que nos diferencia não pode, de forma alguma, ser um problema. A ignorância, preconceito e a intolerância são alimentadas pelo desrespeito. Por isso, todas as vezes que, sem nenhum motivo ou razão, julgarmos alguém com base no nosso desconhecimento, devemos sempre ter em mente que, se hoje somos o arco e flecha, qualquer dia desses, certamente, seremos o alvo.

Não sou obrigado a nada

Não sou obrigado a nada! Perdi as contas de quantas vezes disse ou ouvi essa, que não é, uma simples frase. Por trás dessa exclamação há um enorme desejo de libertação.

Dizer isso, na grande maioria das vezes, não muda em nada as nossas rotinas. Continuamos a seguir uma série de obrigações, algumas compulsórias, outras nem tanto, mas quando a pressão aumenta demais, negamos imediatamente as nossas regras, buscando por um certo alívio para a pesada rotina do dia a dia.

Quando jovens, repetimos à exaustão que só faremos algo quando e como quisermos… Doce ilusão juvenil. De qualquer forma, é nessa etapa que encaramos um sem número de obrigações que vão desde a arrumação do quarto, passando por tarefas escolares, até chegarmos ao mercado de trabalho onde, fora da tutela familiar, seremos massacrados por muitos mandos e alguns desmandos de toda parte.

Cada um de nós vai aprender, do seu jeito, a lidar com essa realidade. Alguns sofrem mais, outros menos, mas, sem dúvidas, esse é um processo para lá de pedagógico e que nos permite enxergar com mais clareza que, independente da nossa vontade, as obrigações serão nossas parceiras frequentes e habituais até o nosso fim.

E isso é ruim? Não acho. Temos por hábito, relacionar nossas obrigações a algo negativo, sem graça ou emoção. O que não é verdade. Quem nunca, ao tentar demonstrar que fez algo incrível, esperava receber um elogio mas, ao invés disso, ouviu: você não fez mais do que a sua obrigação! Nesse exato instante, somos levados a crer que tudo aquilo que fomos obrigados a fazer, jamais será reconhecido ou premiado. Talvez seja por isso que dificilmente associamos o prazer da conquista as nossas atitudes rotineiras. O que é um grande equívoco.

É comum ouvir algumas pessoas reclamando sobre suas obrigações diárias, estejam elas relacionadas a casa ou ao trabalho. Entretanto, muitos outros celebram o trabalho que executam e, quase sempre, afirmam sentir muito prazer ao desempenhar suas funções. Mas o que há de diferente nos dois casos? Ambos seguem cartilhas semelhantes que incluem acordar cedo, trabalhar duro e tocar as coisas boas e ruins que a vida os oferece. Então, o que os diferencia?

Me permito um palpite. Quanto mais cedo aprendemos que é possível, sim, ter êxito ao desempenhar ações comuns, sem maiores emoções, torna-se mais fácil compreender que o prazer da realização também está presente nas obrigações que repetimos por anos e anos.

Por outro lado, quando gritamos aos quatro ventos que não somos obrigados a nada, mesmo que não seja uma verdade absoluta, estabelecemos limites importantes para nós e para quem nos cerca. O que significa dizer que barreiras como o respeito, consideração e amor próprio, estarão sempre prontas para impedir que sejamos forçados a fazer o que não queremos. E isso é maravilhoso.

No fim das contas, sempre teremos inúmeras obrigações e, à medida que as compreendemos como parte de nós, seu peso se torna bem mais leve e a caminhada, mais suave. Dessa forma, sempre que alguém disser que não fazemos nada além de nossas obrigações, tudo bem, afinal, se há uma coisa da qual não somos obrigados, é acreditar que somos limitados.

A curiosa era dos 140 caracteres

Vivemos em uma época onde praticamente tudo deve ser pensado, explicado, discutido e concluído em poucas linhas, poucos parágrafos, textos curtos e, para citar o famoso passarinho azul, melhor ainda que tudo se encaixe em 140 caracteres.

Os textos modernos são como pílulas. Informações em dose única que tem a dificílima tarefa de prender a nobre atenção de criaturas capazes de executar pelo menos cinco tarefas diferentes e simultâneas. Esse furor não permite fixar o olhar em nenhuma matéria ou artigo por mais de dois segundos, ainda mais se for considerado um textão… mesmo que tenha apenas uma página.

Por que falar sobre isso, se todo mundo está cada vez mais feliz e adaptado a esse modelo de expressão onde o menos é mais? Para que perder tempo lendo ou escrevendo “longos” textos se a idéia principal pode ser transmitida em palavras abreviadas, que praticamente estabelecem um novo idioma próprio do mundo virtual? Talvez seja melhor se acostumar…

O que se vê é um mundo de personalidades virtuais cheias de teorias e opiniões sempre carregadas de verdades absolutas. Mas que gente sábia é essa, capaz de saber tanto sobre tantas coisas? Onde nascem tantas informações? E as fontes? Será que alguém verifica de onde veio a bola antes de repassá-la? As perguntas são muitas, mas nem sempre vêm acompanhadas de respostas… Independente do que é dito, ter algo a dizer sobre tudo oferece uma certa visibilidade ao interlocutor, mesmo que, na maioria das vezes, suas ideias originais não sejam nada autênticas.

Falar. Ser lido. Visualizado. Comentado. Curtido. Parece que é isso o que importa. Dizer qualquer coisa, seja legal ou não, ofensiva ou não, é fácil, muito fácil quando se está protegido pelo confortável anonimato do mundo virtual. Para que discutir um assunto quando é possível se tornar o senhor da razão e da verdade, decretando àqueles que discordarem ou rebaterem a sua opinião, o bloqueio sumário, sem direito a apelação. Tempos democráticos… #sqn!

Viva o direito de expressão! Afinal, um número assustador de pessoas pode ser visto/ouvido/lido através de diferentes tipos de mídia, em qualquer lugar do planeta como nunca foi possível antes. E, por conta dessa explosão dos portões da comunicação digital, onde todos podem dizer o que pensam, um fato chama muita atenção. Nos tornamos juízes implacáveis da vida alheia, capazes de  apontar os erros de quem quer que seja, mesmo que esses erros sejam, quase sempre, compartilhados por nós em modo privado…

Quantas pessoas no mundo real são pacatas, gente boa, amigas dos amigos que, ao se transportarem para o universo virtual, transformam-se em seus alter egos bizarros e invertidos? Expressando um comportamento que seria impensável na organização social formal, sujeita a julgamentos e punições. Antes, dizia-se que para conhecer alguém bastava dormir com ela ou conduzi-la ao poder. Acho que podemos atualizar essa afirmativa. Para conhecer alguém, basta dormir com ela, lhe dar poder e permitir acesso irrestrito as redes sociais.

Estamos em um momento curioso onde a vontade de falar sem pensar, parece mais importante e inclusiva que elaborar, explicar e concluir um ideia própria e relevante. Ler o imenso número de manchetes de jornais e revistas e ouvir as chamadas de telejornais tornou mais fácil deglutir a informação. Isso provocou um efeito adverso estranho onde, ler longos textos sem figuras a partir da página dois, tornou-se uma grande perda de tempo para alguns. Para alguns…

É a informação líquida, difícil de reter por maior que seja a sua quantidade. É como verter líquido sobre uma esponja. Não importa se é um copo ou uma caixa d’água. No fim, o volume retido é pequeno, disperso e sem conexão.

O fato é que nunca tivemos tanto acesso a informação como nos tempos atuais. É possível também que essa onipresença virtual nos transforme nos sábios com o maior poder de síntese da história. É esperar para ver…

E, para os que curtem aquele ditado super pop, repetido por celebridades de todos os escalões, que diz que “menos é mais”, é bom ter cuidado. Muitas vezes o menos, não é nada demais.